A Fortaleza de Juromenha: contributo para o estudo e conservação da muralha islâmica de teipa militar

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Universidade de Évora

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Introdução - A utilização da terra crua como material de construção é tão antiga como o próprio acto de construir. Simplesmente modelada ou moldada, escavada ou empilhada em torrões, utilizada em preenchimento de estruturas, recobrimento de paredes ou apisoada entre taipais, ela tem sido largamente aplicada através de tradições eruditas e populares, desde que os homens começaram a construir simples abrigos, monumentos e cidades. A sua aplicação é vasta no nosso país, constituindo um dos materiais de construção mais utilizados tradicionalmente. Em Portugal, as principais tecnologias de terra são a taipa, o adobe e o tabique de taipa. Verifica-se ainda a sua utilização como material de construção em coberturas na ilha de Porto Santo, nos chamados "tectos de salão". Estas técnicas variam de região para região ao longo do nosso país. A variedade das mesmas traduz não só a passagem dos diversos povos e a presença das diferentes influências mas também as respostas apropriadas às condições específicas de cada região. No entanto, é no Sul que as construções em terra crua aparecem em maior número – a taipa, utilizada em habitações populares, edifícios eruditos, arquitectura religiosa e militar, constitui uma das tecnologias tradicionais mais utilizadas nas regiões alentejana e algarvia. A origem da taipa é desconhecida, sendo característica e comum das culturas mediterrânicas. O seu uso na península ter-se-á intensificado com a ocupação islâmica – o termo tâbiya, de origem berbere, designa o mesmo processo construtivo ao qual os espanhóis chamam tapial, podendo assim ser aceite uma raiz comum do termo. A construção destas paredes monolíticas de terra consiste na compactação de uma mistura muito arenosa, rica em pedra e cascalho, com baixas percentagens de argila, dentro de moldes amovíveis designados por taipais. Estes moldes são constituídos por taipais laterais (por vezes apenas designados por taipais) e comportas (ou frontais), os quais formam uma caixa sem tampa e sem fundo. A sua fixação é assegurada por côvados e costeiros (também de madeira) e por agulhas e pregos (ou alfinetes) metálicos. Nos extremos superiores de cada par de costeiros é passada uma corda (o baraço) à qual é amarrada uma ripa de madeira (a garrocha) que, girando, aperta convenientemente os taipais de encontro às costeiras.

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