Convergências e diferenças num triângulo variável - A Psicoterapia no contexto da Psicologia Clínica e na sua relação com outras intervenções psicológicas
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Ordem dos Psicólogos Portugueses
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A intervenção psicológica acompanha inevitavelmente as mudanças no contexto social. Desde o início do séc. XX a prática da Psicoterapia relaciona-se diretamente com o que lhe tem sido solicitado por diferentes populações, marcando a história de cada época. O que é pedido hoje à Psicologia e à Psicoterapia é distinto, e corresponde ao que o contexto social valoriza e os indivíduos procuram. Encontramos assim uma forte confluência entre as práticas sociais, as modalidades de intervenção psicológica em geral e a Psicoterapia em particular. Tal convergência pode ser vista em torno de três dimensões diferentes mas articuladas, constituindo lados de um mesmo triângulo: promoção do desenvolvimento, bem-estar e inclusão.
Na articulação destas vertentes, podemos analisar como se organizam as respostas oferecidas aos cidadãos, incluindo as da Psicologia. E também como a própria Psicoterapia se articula e diferencia em relação a outras práticas sociais e de intervenção, nestes mesmos aspectos, numa época de consenso fragmentado quanto aos seus princípios e práticas e quando a clínica psicológica saiu do domínio do intrapsíquico, que desvalorizava os aspectos desenvolvimentais e inclusivos.
Depois de abordada a questão da convergência e organização da Psicoterapia enquanto resposta social, ficam-nos algumas dimensões diferenciadoras, condições necessárias à definição da prática psicoterapêutica. Em primeiro lugar, a compreensão e reconhecimento do lugar da dor mental, não como doença nem enquanto ausência de bem-estar, mas como sofrimento emocional que subsiste quando outras formas de promover bem-estar, desenvolvimento e inclusão não são suficientes. Em segundo lugar, uma concepção do funcionamento mental não redutível ao cérebro, ao passado ou a qualquer forma de determinismo. E, por último, a exigência de implicação ativa do individuo no seu próprio processo de mudança; não como alvo de uma prática ou consumidor de um produto, mas como promotor, na relação com o terapeuta, do seu próprio desenvolvimento, inclusão e bem-estar.