Falha na transferência de imunidade passiva em vitelos – avaliação no 1º, 2º e 7º dia de vida.
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Date
2023-03-03
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Publisher
Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias.
Abstract
Introdução e objetivos: É cada vez mais comum a monitorização da transferência de imunidade passiva nas explorações leiteiras. O método de referência consiste na determinação por imunodifusão radial, da concentração de IgG sanguínea às 24h de vida, ocorrendo falha na transferência de imunidade passiva (FTIP) abaixo dos 10 mg/mL. No entanto, este método não está acessível à generalidade dos produtores. A medição da concentração total de proteínas do soro (PTS) por refratometria permite avaliar a FTIP de forma indireta1. Tanto a nível académico como empresarial, identificam-se casos onde a avaliação da FTIP é realizada até aos 7 dias de vida. O objetivo deste trabalho consistiu em avaliar o grau de fiabilidade da avaliação da FTIP ao 2º e 7º dia após o nascimento, através da PTS.
Metodologia e resultados: Colheu-se sangue por venopunção jugular a 20 vitelos: 30 minutos após o nascimento e antes de ingerir o colostro (D0), 1, 2 e 7 dias após o nascimento (D1, D2 e D7). Obteve-se o soro por centrifugação (3000 RPM, 10 min a 24ºC). A PTS foi determinada por refratometria, considerando-se FTIP para valores ≤5,8 g/dL. As amostras foram também analisadas por um método colorimétrico automático, para controlo do refratómetro. Comparou-se a medição das PTS às 24h (D1; referência) com a medição D2 e D7, através do cálculo das medidas de exatidão, precisão, sensibilidade (Se) e especificidade (Sp), análise de curva ROC, cálculo do Índice de Youden (IY) para identificar o Optimal Cut-Point (OCP) e de uma análise de concordância (Bland-Altman). Observou-se um aumento na PTS de D0 para D1 e uma diminuição nas restantes fases - média ± desvio padrão: D0 (4,48±0,28 g/dL), D1 (6,39±0,75 g/dL), D2 (6,28±0,73 g/dL) e D7 (6,00±0,52 g/dL). Para D2 e D7: exatidão (0,90 e 0,70), precisão (0,80 e 0,44), Se (0,80 e 0,80), Sp (0,93 e 0,67). A análise ROC indicou que para D2 o OCT foi a 5,8 g/dL (Se 0,80 e Sp 0,93; IY = 0,733; AUC = 0,93, P = 0,006) e para o D7 o OCT foi a 5,7 g/dL (Se 0,60 e Sp 0,93; IY = 0,533; AUC = 0,773; P = 0,074). Relativamente à análise de concordância, a média da diferença (Bias) entre D1 e D2 foi 0,11±0,35 g/dL (t-test; P = 0,173) e entre D1 e D7 foi 0,39±0,71 g/dL (t-test; P = 0,024), revelando uma tendência para aumentar a diferença entre as medições com o aumento da média dos valores de PTS. Principais conclusões: Os resultados deste estudo demonstram uma redução gradual da PTS, associada à degradação de IgG1. O grau de desidratação pode também influenciar os resultados obtidos, provocando uma hemoconcentração, conduzindo ao aumento da PTS. Apenas um vitelo apresentou sinais severos de desidratação (aumento entre D1 e D7 em 1,4 g/dL na PST (7,7 g/dL), 42% hematócrito, enoftalmia acentuada, reduzida tonicidade da pele e diarreia profusa e aquosa). A avaliação tardia da FTIP pode desta forma comprometer os resultados obtidos. A medição no D2 apresentou resultados muito próximos a D1, classificando corretamente com e sem FTIP a maioria dos vitelos. Porém, a medição em D7 apresentou resultados menos concordantes com D1, especialmente ao nível da Sp, influenciado pela redução da PTS. Com base no IY calculado obteve-se um balanço mais de adequado de Se e Sp, se a FTIP em D7 for considerada desde 5,7 e não 5,8 g/dL. Preferencialmente, a medição deve ser realizada nos primeiros 2 dias de vida. Em medições mais tardias, é especialmente necessário ter em consideração a normal redução da PTS, bem como o grau de desidratação do vitelo.
Description
Keywords
Transferência imunidade passiva, vitelos, maneio de colostro, veso vivo
Citation
Silva FG, Ramalho J, Caetano P, Martins L, Conceição C, Pereira A, Cerqueira JL e Silva SR. Falha na transferência de imunidade passiva em vitelos – avaliação no 1º, 2º e 7º dia de vida. XIV Jornadas do Hospital Veterinário Muralha de Évora. Évora, 3-4 de março de 2023.