Os oficiais de cura letrados e praticantes
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Câmara Municipal de Lisboa / Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
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A edificação do Hospital de Todos-os-Santos, à imagem de Florença e de Siena, permitiu alterar as relações entre curadores e pacientes em Portugal (Carvalho, 1949; Abreu, 2009). Uma das principais novidades foi a criação de um corpo de oficiais de cura residentes, que se dedicava diariamente a cuidar de todos os pobres doentes que acorriam de quaisquer partes do reino e dos seus domínios ultramarinos (Lopes, 1890). Segundo o regimento de 1504, faziam parte deste corpo um físico, dois cirurgiões, um boticário, uma cristaleira e um barbeiro sangrador, a que acresciam muitos outros funcionários, que asseguravam a boa administração e o bom cuidado dos doentes na instituição. Cada um tinha um papel no cerimonial de visitação dos pacientes, que se realizava sob o olhar do provedor, do vedor e do enfermeiro-mor (Salgado et Salgado, 1992, f. 86v.-87), de forma a reforçar a confiança dos pacientes nos métodos de cura quinhentistas. Para compor este corpo de oficiais, a instituição seleccionava os curadores de acordo com a sua disponibilidade, a sua capacidade financeira, a reputação do agente, a adequação da sua prática às doenças e até as experiências de contratação anteriores, tanto suas como das instituições que administrava.
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Ribeiro Gonçalves, Luís "Os oficiais de cura letrados e praticantes", em Martins, Edite Alberto; Silva, Rodrigo Banha da; Teixeira, André - O Hospital Real de Todos-os-Santos: Lisboa e a saúde, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa / Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, 2020, pp. 429-435