Agricultores típicos: uma nova referência para as estratégias de desenvolvimento rural, reconstrução de um modelo
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Universidade de évora
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"Sem resumo feito pelo autor"; A Extensão Rural como instituição pública tem, a princípio, a obrigação de responder, directa ou indirectamente, às necessidades de todos os produtores rurais. Entretanto, nas últimas décadas muito do trabalho de extensão tem-se baseado no chamado agricultor "progressista", assumindo que ao ajudar esses agricultores se toma mais fácil e eficiente a demonstração aos demais do valor de certas inovações recomendadas. Porém, já foi comprovado que esta estratégia tem levado a um aumento da diferença existente entre agricultores "progressistas" e os outros.
Buscando um novo conceito de agricultores, cujas características socio-económico-culturais, estejam presentes na da maioria de determinado contexto, foi desenvolvido o modelo RA-86 (Rebelo de Andrade, 1986), para identificação e caracterização do agricultor "típico". Contudo, nas oportunidades em que' foi utilizado, segundo a avaliação do próprio autor, os resultados não foram suficientes para concluir que o modelo tenha ficado desde logo aprovado. Análises e simulações mais recentes têm evidenciado algumas fragilidades do modelo, nomeadamente quanto à composição dos indiciadores e ao método operacional utilizado.
Como resultante das análises, ajustamentos e alterações metodológicas, feitas, tanto na composição e quantificação dos indiciadores quanto no método operacional, definiu-se um "novo" modelo PRA-96 (Protas & Rebelo de Andrade, 1996), mais abrangente e rigoroso, e portanto, mais condizente com a realidade enquanto instrumento para a identificação do agricultor "típico".
Tomando-se como Universo do Estudo a população de agricultores associados da Secção Vitivinícola da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz (CARM), o "novo" modelo foi aplicado no terreno junto a uma amostra de 95 viticultores.
Tomando por referência o tempo de adopção de uma tecnologia difundida naquele contexto (instalação de vinhedos com as castas brancas Roupeiro, Rabo d'Ovelha e Perrum) por parte dos viticultores, confirmou-se a aplicabilidade da formulação de Rogers àquela população.
Quanto à identificação e selecção do "grupo típico", o "novo" modelo mostrou-se
eficaz, tendo em vista o expressivo número de agricultores identificados (1 "típico", 8
"quase-típico I e 10 "quase-típico II") e dinâmico, na medida em que dispõe de
mecanismos metodológicos que permite envolver, quando necessário, os três conceitos de
agricultores para a formação daquele grupo.