A tradução de teatro (também) é literária

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Universidade Católica Editora

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À luz de novas abordagens da relação do texto de teatro com a cena, que lhe retiraram progressivamente a sua centralidade no processo da criação teatral, quer no período áureo da encenação e dos encenadores iniciado no fim do século XIX, quer no período da pós-modernidade, também a tradução de teatro se debruçou sobre a especificidade do texto dramático. Visto tradicionalmente como obra literária autónoma, destinada à leitura, sem a cena, o género dramático deu lugar, a partir dos anos 1980, à produção de reflexões teóricas e metodológicas que alimentaram debates inovadores no campo da tradutologia. Todavia, se considerarmos a abundância da produção de obras para o teatro escritas e publicadas nas últimas décadas, este enfraquecimento do estatuto do texto no processo de criação teatral não parece ter arrefecido a capacidade criadora dos autores que, pelo contrário, perante o desafio da cena, transformaram a própria escrita do texto, inventando formas e linguagens novas, numa reaproximação do literário. Com um corpus de autores e obras do repertório de teatro de língua francesa, procuraremos dar conta deste fenómeno tão importante tanto para o teatro como para a literatura.

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Moniz, Maria Lin, Isabel Gil e Alexandra Lopes Orgs. / Eds. 2021. Era uma vez a tradução... / Once upon a time there was translation... Lisboa: Universidade Católica Editora. pp. 84-93 ISBN: 9789725407608

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