ENSINO BILÍNGUE PORTUGUÊS/KIMBUNDU: EXPERIÊNCIAS E DESAFIOS
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Pretende-se, neste trabalho, por um lado, relatar uma experiência de ensino bilíngue português/kimbundu, através do estudo de caso da Escola Superior Pedagógica do Cuanza-Norte/Angola; e, por outro lado, analisar os desafios desta experiência no tocante ao ensino do Português nas zonas ou ˝localidades de difícil acesso˝, previstas no Decreto Presidencial n.º 67/2023, de 7 de março.
Como é sabido, durante muito tempo, foi tabu falar da importância das línguas nacionais, hoje línguas de Angola (artigo 19º da Constituição de Angola), no ensino da língua oficial. Regra geral, o ensino do português nas escolas do interior do país era e ainda continua a ser feito sem se ter em conta a diversidade e a realidade linguística dos alunos, por influência de antigas políticas coloniais. Nestes termos, tal ensino tem constituído na atualidade um desafio para todos os agentes de ensino; e mais ainda para os agentes colocados em zonas recônditas, isoladas, aos quais o Estado angolano confere subsídios de fixação (cf. Decreto Presidencial n.º 67/2023, de 7 de março). A Escola Superior Pedagógica do Cuanza-Norte tem procurado responder a este desafio do multilinguismo e multiculturalidade do país através de um currículo especial para a formação de professores das mais variadas áreas científicas. Este currículo visa apetrechar os futuros professores de ferramentas necessárias para os desafios do ensino/aprendizagem da língua oficial, uma vez que para a maioria dos alunos das escolas das chamadas zonas recônditas, a língua materna não é o português, mas uma outra língua angolana, nomeadamente o kimbundu. Neste sentido, traz-se aqui o relato da experiência da Escola Superior Pedagógica do Cuanza-Norte em matérias de adaptação do currículo à realidade linguística dos estudantes, articulando o kimbundu e o português no mesmo plano curricular do curso de formação de professores. Outras línguas angolanas minoritárias, embora não ignoradas nesta realidade de ensino, não podem, porém, pelo menos por enquanto, receber o mesmo tratamento que é dado ao kimbundu.