A fenomenologia como desafio do meu tempo
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Ekstasis: Revista de Hermenêutica e Fenomenologia
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Não é incomum hoje a expressão “fim da Fenomenologia”, num contexto hermenêutico global em que os seus princípios, método e resultados se desvalorizam ante outras abordagens filosóficas e científicas. Esta crítica leva implícita a questão acerca do seu estatuto no âmbito não meramente filosófico, mas interdisciplinar, paradigmaticamente regido pela cultura tecnocrática globalizada, que imprime o seu selo ideológico na autoconsciência colectiva. Neste quadro, defenderei que a fenomenologia é necessária quer como via filosófica, em linha com a sua tradição, quer como prática de uma atitude crítica no exercício da existência fáctica. Isto é: como um desafio aos saberes, correlativo dos desafios do mundo da vida. Procederei em 3 momentos: num primeiro, tentarei um desenho da situação hermenêutica, em que tem lugar o ataque à via fenomenológica; no segundo, procurarei mostrar o horizonte de mudança; e, finalmente, abordarei, como desafio, uma das vias dessa mudança em devir a que chamo uma fenomenologia do possível na abertura afectiva.
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Não é incomum hoje a expressão “fim da Fenomenologia”, num contexto hermenêutico global em que os seus princípios, método e resultados se desvalorizam ante outras abordagens filosóficas e científicas. Esta crítica leva implícita a questão acerca do seu estatuto no âmbito não meramente filosófico, mas interdisciplinar, paradigmaticamente regido pela cultura tecnocrática globalizada, que imprime o seu selo ideológico na autoconsciência colectiva. Neste quadro, defenderei que a fenomenologia é necessária quer como via filosófica, em linha com a sua tradição, quer como prática de uma atitude crítica no exercício da existência fáctica. Isto é: como um desafio aos saberes, correlativo dos desafios do mundo da vida. Procederei em 3 momentos: num primeiro, tentarei um desenho da situação hermenêutica, em que tem lugar o ataque à via fenomenológica; no segundo, procurarei mostrar o horizonte de mudança; e, finalmente, abordarei, como desafio, uma das vias dessa mudança em devir a que chamo uma fenomenologia do possível na abertura afectiva