Museu Arqueológico do Carmo, exposições temporárias e sociedade civil na I República: uma síntese

Abstract

«PALAVRAS INICIAIS -Não se revendo já nas principais linhas de actuação da Real Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses (raacap) (Lisboa, 1863) do dealbar de Novecentos, a maioria dos arquitectos que a ingressam sai do seu seio para fundar a futura «Ordem dos Arquitectos Portugueses». Corre o ano de 1902 e Portugal assiste ao lento definhar do regime monárquico e ao crescimento do movimento republicano num contexto interno bastante complexo. Perante esta novidade interna, a instituição é redenominada para «Real Associação dos Arqueólogos Portugueses», prosseguindo os estudos históricos, artísticos e arqueológicos aos quais se vão somando, entre outros, os heráldicos, os etnográficos e, sobretudo, os olisiponenses (Martins, 2005). A presença agora mais firme da produção etnográfica relacionar-se-á com as profundas e céleres transfigurações verificadas na paisagem rural e urbana, suscitando receios de olvido e desaparecimento de usos, costumes e tradições conferidores de tipicidade e unicidade territorial. Mas esta presença revela de igual modo a mudança ideológica e política registada no país. Ingressando e ocupando de modo paulatino a centralidade da figuração artística e comemorativa, os representantes das artes, das letras e das ciências evocam o génio e a singularidade nacionais (re)encontradas em (i)materialidades perpetuadas secularmente. Tradicionalidades que são agora (re) vistas no contexto do movimento dos Arts & Crafts, direcionado para a recuperação e desenvolvimento de economias locais.»

Description

Citation

Martins, Ana Cristina Martins (2020) - Museu Arqueológico do Carmo, exposições temporárias e sociedade civil na I República: uma síntese. In J. Arnaldo, A. H. Delavenay & M. di Paola (eds.) - Historia de los museos, historia de la museología. España, Portugal, America. Gijón: Ediciones Trea, pp. 119-126.

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