Herdade da Malhadinha Nova. O regresso às castas como expressão do lugar
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Diário do Alentejo
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O lançamento dos novos vinhos monovarietais da Herdade da Malhadinha Nova não é apenas a apresentação de mais uma colheita, é uma afirmação de identidade num Alentejo cada vez mais diverso, competitivo e exposto a leituras fáceis. Estes vinhos não são uma demonstração técnica, nem uma resposta a tendências de mercado, mas sim uma reafirmação de uma filosofia construída lentamente, ano após ano, no novo milénio, recentrando o discurso no essencial: a casta, o lugar e a interpretação humana.
Num Alentejo que se reinventou nas últimas décadas, ora pela modernização tecnológica, ora pela internacionalização de estilos ou ainda pelo regresso às origens, a Malhadinha Nova continua a insistir numa ideia simples e difícil de executar: deixar que o lugar fale, neste caso através das castas.
Depois de um percurso de mais de duas décadas marcado por uma visão integrada de agricultura, vinho, hospitalidade e cultura, a família Soares reforça, com estes monovarietais, a sua leitura contemporânea do Alentejo, onde sustentabilidade, detalhe e tempo caminham juntos.
Inspirados pela biodiversidade espontânea dos seus cerca de 700 hectares, os novos vinhos ganham uma companhia visual particularmente singular: plantas nativas que florescem livremente na propriedade, ilustradas pela nova geração da família Soares. Da flor de cardo que tinge de magenta a Touriga Nacional, ao verde-canabrás que acompanha o Verdelho, cria-se uma paleta cromática que é, em simultâneo, um tributo à ecologia local e uma declaração de intenções sobre o conceito de autossustentabilidade que define o projeto.
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Manuel Baiôa, “Herdade da Malhadinha Nova. O regresso às castas como expressão do lugar” in Diário do Alentejo, 19.12.2025, pp. 32-33.