O Mar e a Arte

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Universidade do Algarve Editora

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A água, ou como veremos o mar ou o oceano, é o elemento a colocar no microscópio da análise que aqui propomos fazer. Se é mais do que sabido que a água é um elemento biologicamente vital, pois dela partimos para a nossa existência, também, paradoxal- mente, nos convoca para a morte, ou para a comunicação, ou, ainda, para o isolamento; sem esquecer a guerra e o comércio. Na água também se observa tanto o cárcere como a liberdade; a bonança e a tempestade. Graças ao movimento das ondas, que no seu seio produzem a música que a nossa imperfeita audição capta, pode surgir o doce embalar, ou o repetitivo eco de uma especial linha melódica. Outras sonoridades nos apresentam a ostensiva manifestação de vitalidade do elemento aquífero. E que dizer das evoluções tecnológicas, desde os mais remotos tempos, com o objetivo de simplesmente navegar, cuja sofisticada evolução científica nos permitiu abalançarmo-nos para os mais ousa- dos salvamentos ou para terríveis máquinas de morte. Contudo, pese embora falar-se de Vida e de Morte, constatámos, até há bem pouco que (em termos históricos) a água era mais um dos elementos indispensáveis para a vida, tal como o ar que respiramos, a terra onde nos reproduzimos e o fogo que participa de forma não menos importante no processo de regeneração deste intrincado mundo: quatro elementos primordiais que, numa constante dialética, são a força motriz de uma sobrevivência global: vida e morte, mas regeneração perpétua. Eis, pois, a primeira harmonia que urge constatar e não perder de vista. Mas a Arte (seja literária, visual ou musical, tão iguais, bem como tão diferentes) também participa desta fusão elementar? Obviamente.

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Ferré, P. e Boto, S. (2024). O Mar e a Arte. In O mar: tradições e desafios (pp. 69-88). Faro: Universidade do Algarve Editora

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