A potencialidade da Geoquímica para o estudo da Paleontologia de Vertebrados.
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Neste trabalho, foram estudados dentes de Saurópodes, recolhidos nas formações do
Jurássico Superior da Bacia Lusitaniana, tendo-se realizado análise de difração de raios-X,fluorescência de raios-X, SEM-EDS e LA-ICP-MS. Verificou-se que a hidroxilapatite
domina a mineralogia dos exemplares e que os dentes são compostos principalmente por
Ca e P, em termos de elementos maiores, mas também por Fe, Mg, Mn, Al e K, associados
à presença residual de sedimento hospedeiro. Nas imagens de SEM-EDS observa-se uma
diferença textural entre a coroa (esmalte) e a raiz (dentina), correspondente a diferenças de porosidade, sugerindo implicações na estequiometria da bioapatite constituinte. As
variações na distribuição de elementos-traço, demonstram efeitos da diagénese em setores
restritos. No entanto, grande parte dos exemplares terá resistido às alterações diagenéticas, preservando a sua assinatura geoquímica original, apresentando-se o esmalte mais resistente do que a dentina. Os resultados obtidos revelam a existência de setores preservados dos dentes passíveis de fornecer informações fiáveis quanto ao ambiente em que os organismos viveram e suas respetivas dietas. A metodologia utilizada neste trabalho, deve ser executada à priori dos estudos isotópicos para determinações de
paleoambientes e paleodietas, para garantir a precisão no estudo de material não afetado
pelas reações fluido-rocha pós-deposicionais.