Formas de ler a resistência

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Casa das Letras

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Integrado num livro sobre formas de resistência por parte de gente anónima, este capítulo narra a história de um jovem marinheiro açoreano, que não sabia ler nem escrever. Foi feito cativo e levado para Argel, quando navegava entre as Ilhas Terceira e o Faial. Obrigado a trabalho forçado nos navios de corso, durante 4 anos ter-se-á mantido católico, até que acabou por abujar. Em 1694, quando foi apresado por uma fragata portuguesa era já sota-arrais de um navio, pois a mudança de credo religioso permitia-lhe ser livre e ter outro estatuto social. Uma vez processado pela Inquisição de Lisboa por arrenegado, torna-se notório o desencontro de leituras: por um lado, os inquisidores que exigiam que ele tivesse resistido, continuando fiel ao catolicismo, se necessário dando a vida; por outro, a do jovem apóstata arrependido, que considerava que se esforçara por sobreviver e esse era o seu patamar de resistência.

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Olival, Fernanda, «Formas de ler a resistência», in Resistência: insubmissão e revolta no Império Português, coordenado por Mafalda Soares da Cunha, Alfragide, Casa das Letras, 2021, pp. 188-194. ISBN: 9789896612078.

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