Avaliação económica de tecnologias alternativas de mobilização do solo numa exploração agrícola característica da zona dos barros de Beja
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Universidade de Évora
Abstract
Introdução - O problema da introdução de tecnologias alternativas de mobilização do solo em sistemas de produção de culturas arvenses é já referido por Azevedo, A. L. e Cary, F. (1972), em ensaios iniciados no ano agrícola de 1966/67, com o objectivo de estudar as consequências da aplicação destas tecnologias sobre o tempo de trabalho por hectare, o número de passagens de máquina por hectare, a produtividade física alcançada e o estado de agregação e condições de operabilidade dos terrenos. Os mesmos problemas são apontados por estes autores (1989.b) que passados mais de 20 anos afirmam que o nível tecnológico da agricultura alentejana ainda apresenta limitações, com reflexos no aproveitamento das respectivas potencialidades e nas produtividades fisicas alcançadas nas diferentes culturas. Um dos problemas que salientam é o das consequências operatórias da mobilização e preparação da cama para a semente. Em sua opinião, a política agrícola que tem sido seguida desde 1986, com a adopção da Política Agrícola Comum (PAC), não tem considerado os aspectos tecnológicos como relevantes. Segundo Azevedo, A. L. e Cary, F. (1989.a), a situação vivida nos últimos anos em Portugal, mais do que promover a transformação e a adaptação da agricultura portuguesa, visou essencialmente beneficiar, no curto prazo, o rendimento dos agricultores, sem atender às novas condições a que a agricultura passou a estar sujeita e este objectivo levou a que, no caso concreto dos cereais,
nomeadamente milho e trigo, os preços estabelecidos fossem de tal forma convidativos que não incentivavam os agricultores a adoptarem outras soluções transformadoras. Esta relação entre os níveis de preços fixados e o estímulo, ou procura por melhoramentos tecnológicos é também referida por outros autores. Barlow, C. e Jayasuriya, S. K. (1984), afirmam que quando o rendimento de determinada cultura, ou grupo de culturas, é largamente protegido pelo governo, tende a haver uma substituição da iniciativa individual que pode produzir uma fossilização das atitudes dos agricultores. Raymond, W. F. (1985) cita o relatório WHEAT'83 (ADAS, 1984), sublinhando que a contínua descida dos preços encoraja a adopção de sistemas com custos menores. 0 problema que se põe hoje em dia é que a agricultura deve, por um lado, produzir não provocando desiquilíbrios estruturais de mercado, logo não criando excedentes e minimizando os custos; por outro lado, os alimentos devem ser produzidos com menos uso de químicos, os animais devem ter um maneio menos intensivo de modo a salvaguardar o seu bem estar, as paisagens rurais devem ser preservadas e o acesso ao campo tornado mais fácil, e a mão de obra na agricultura deve ser mantida (Raymond, W. F., 1985). A conciliação destes diferentes objectivos passa por conseguir, para a agricultura, um desenvolvimento sustentável. Este conceito de desenvolvimento supõe que devemos procurar modelos de produção agrícola que não tenham apenas como primeira prioridade um rápido crescimento económico, compatibilizando-se com o uso racional dos recursos naturais, o que enfatiza os limites da capacidade assimiladora do ambiente e da capacidade da tecnologia para contribuir para o bem estar humano (Sanders, J., 1991).