Estudo tectónico da megaestrutura de Crato-Arronches-Campo Maior: a faixa blastomilonítica e o limite setentrional da zona de Ossa Morena com o autóctone centro ibérico (nordeste alentejano)
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Universidade de Évora
Abstract
Introdução - A área de estudo localiza-se no Nordeste Alentejano, a sudeste de Portalegre estendendo-se desde a região fronteiriça de Esperança, passando por Degolados, à Barragem do Caia a ocidente de Campo Maior. Situa-se em plena peneplanície alentejana, neste caso, limitada a norte pela Serra de São Mamede, que inclui o ponto mais elevado a sul do rio Tejo (1027 m, v.g. São Mamede). Este relevo é constituído por: i) terrenos do Paleozóico inferior deformados pela orogenia varisca, com desenvolvimento de uma megaestrutura dobrada designada por Sinclinorio da Serra de São Mamede, onde se destacam os relevos de dureza, correspondentes às cristas arenito-quartziticas do Ordovícico, do Silúrico e do Devónico e, ii) o granito tectonizado de Portalegre-, conjunto este, interrompido a noroeste pelo granito, tardi-varisco, de Nisa-Alpalhão-Castelo de Vide. "É curioso assinalar que a serra, no flanco sudoeste, começa a emergir da peneplanície alentejana a partir das barras quartzíticas, acentuando-se o relevo à medida que caminhamos para o interior da montanha" (Gonçalves, 1986). A extensa superficie de erosão, com altitude média próxima dos 400 metros (Gonçalves, 1971), corresponde a terrenos precâmbricos, câmbricos, corpos intrusivos paleozóicos e a cobertura terciária, extremamente arrasados pela erosão, de onde se destacam alguns relevos mais resistentes, de que é exemplo a crista de metachertes do Azinhal, a sul de Urra. "A erosão diferencial completou o quadro geomorfológico, acentuando o contraste entre os terrenos precâmbricos ( ... ), onde se situa a peneplanície alentejana, e os sedimentos paleozóicos que constituem na sua maior parte, o maciço montanhoso" (Gonçalves, 1986).