O ABISMO DO DESESPERO DA RESPONSABILIDADE EM MEDICINA: NÃO(,) É NÃO!? — REVISITAÇÃO AO DISSENTIMENTO
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Aprendemos desde tenra idade que não é não. A medicina, porém, nutre uma obsessiva prática beneficente, tão logo se lhe reconheça alforria científica. Queira-se ou não, este imperativo categórico consiste em trespassar um paciente vivo. Os profissionais de saúde são naturalmente conservadores, assim como os juízes e o legislador. Mudanças importantes exigem crises, e essa fratura epistemológica acontecerá com um inequívoco conceito de leges artis que inclua expressa e radicalmente tanto o consentimento quanto a recusa com esclarecimentos. E são realidades diferentes a pedir diferentes posturas. Ignorar isto é enganar todos, endossando a confiança médica para o vetusto anedótico, mas perigoso cinismo, das lições de WilliamTaplin para profissionais de saúde (Labirinto de Esculápio: século XVIII). Taplin, charlatão, adverte o médico que curar pacientes é completamente irrelevante para o sucesso: o que importa é a imagem certa. ‘Mostra sabedoria; fala pouco, esse pouco que seja incompreensível, mostra-te apressado, adapta-te à categoria dos pacientes: o que vai desde a ostentação pomposa, à humildade, quase servil’ (apud Wootton, Bad Medicine, 296)