A problemática formal no tento quinhentista português para tecla – o caso de António Carreira
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A presente comunicação é o resultado da investigação que tenho vindo a realizar em torno do manuscrito 242 da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (P-Cug MM 242). No ano passado, na primeira edição do ENIM (Porto/Casa da Música - 2011), apresentei uma comunicação centrada na relação entre algumas obras de António Carreira no MM 242 e a sua relação com as recomposições dos ricercari do Libro primo (1547) de Jacques Buus, constantes no mesmo manuscrito. Agora, na sequência da preparação para a edição moderna de uma série de outras peças atribuídas a Carreira, nunca até hoje editadas, pretendo discutir a problemática formal dos seus tentos/fantasias, em particular o gigantismo dimensional. Se esse dado analítico já havia sido sugerido em estudos anteriores que realizei sobre este tema, cuja publicação se encontra no prelo, é todavia a primeira vez que olharemos para peças recém-transcritas que corroboram as hipóteses então levantadas. Penso poder assim alargar o conhecimento que temos sobre a realidade do tento português quinhentista para tecla e lançar novas hipóteses relativas à sua inserção no âmbito do cerimonial litúrgico. Uma vez que o MM 242 é a única fonte conhecida que possui peças para tecla de Carreira, a primeira edição moderna de algumas das suas obras irá certamente esclarecer também muitos dos questionamentos que têm vindo a ser feitos a propósito da problemática das autorias. Através de uma série de elementos comparativos de análise formal e estilística pretendo enriquecer essa mesma discussão.