Tempo para Entender. História Comparada da Literatura Portuguesa

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Caleidoscópio

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Demasiadas histórias da literatura cederam à tentação daquilo que, seguindo Umberto Eco, se pode designar por "uso". A começar pelo uso político da literatura como modo de existência (e prova de existência) duma nação e duma especificidade nativista. Mas há também um "uso estético" da literatura, quando a estética constitui, acima de tudo, um refúgio, uma forma de estagnar e insularizar um espaço perante o mundo e a sociedade, e, preferencialmente, contra o mundo e a sociedade. Este livro propõe uma alternativa a tais (ab)usos: uma história comparada da literatura portuguesa, Uma história onde autores como Gil Vicente, Luís de Camões, Camilo Castelo Branco, e António Nobre surgem estudados a par do Petrarca novilatino e vernáculo, de Tasso, Shakespeare, Voltaire e Gógol. Onde obras míticas do ensino e da cultura em Portugal, como o Auto da Índia, a Menina e Moça e o Só, aparecem com rosto diferente e com motivos renovados de interesse. Onde autores quase esquecidos, como Cataldo Sículo e o grande Vasco Mouzinho, reemergem para assinalar novas épocas. E onde a periodização literária encontra nas velhas ciências da arte verbal (Dialéctica, Retórica, Poética) as razões para a sua reconstrução no quadro português e europeu, uma reconstrução a quatro tempos: Medievo, Renascimento, Modernidade e Revoluções.

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