Fatores críticos na autoavaliação das escolas
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A legislação portuguesa apresenta a formação contínua de docentes e de outros agentes educativos como sendo um elemento estrutural na melhoria da qualidade, da eficácia e da eficiência do sistema de educação. Entre 2021 e 2023, os Centros de Formação de Associação de Escolas (CFAE) foram incumbidos de dinamizar ações de formação destinadas a agentes educativos, no âmbito da capacitação digital, com vista à criação de condições para a sua atualização e desenvolvimento profissional. As escolas implementaram os seus Planos de Ação de Desenvolvimento das Escolas (PADDE), instrumento orientador que pretende reforçar a integração do digital nas dimensões organizacional, pedagógica, tecnológica e digital e nas práticas dos Agrupamentos de Escolas (AE), com vista a adequá-las aos desafios da sociedade atual. É neste quadro que se impõe avaliar o efeito da capacitação em contexto educativo, nos seus processos administrativos e pedagógicos. É objetivo deste estudo refletir sobre os efeitos da formação em capacitação digital, implementada num CFAE do Alentejo, destinada a pessoal docente, considerando a seguinte questão de partida: quais são os efeitos da formação contínua no desenvolvimento profissional e na organização escolar, percecionado por diferentes agentes educativos? Daqui decorrem dois objetivos específicos: i) Conhecer a perceção destes agentes educativos relativamente aos efeitos da formação no envolvimento profissional; ii) Conhecer a perceção destes agentes educativos sobre os efeitos da formação nas dinâmicas organizacionais. Metodologicamente, recorreremos a: i) questionário aplicado a docentes; ii) grupos focais a diretores e membros das equipas do PADDE. Responderam ao questionário 324 professores que fizeram formações do Plano de Formação de Capacitação Digital, num dos anos letivos de 2021/2022 ou 2022/23, e participaram nos grupos focais nove diretores e oito elementos da equipa PADDE. Os resultados revelam efeitos em termos de: maior colaboração e partilha entre os docentes para (re)criar recursos digitais para a prática letiva; uso mais generalizado das tecnologias digitais nos processos de comunicação na comunidade escolar; e maior uso de recursos educativos abertos e a criação de repositórios online com materiais de ensino e aprendizagem. Como aspetos a melhorar, salienta-se a reflexão/avaliação (crítica e ativa) dos docentes acerca das práticas pedagógicas digitais adotadas e o seu contributo para a melhoria da organização escolar.
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Fialho, I., Saragoça, J., Coppi, M., Correia, A. P., & Gomes, S. (2025). Fatores críticos na autoavaliação das escolas. In F. César (Coord.), Escola, Democracia e Mudança / Escuela, Democracia y Cambio. Livro de Atas do V Congresso Internacional de Liderança e Melhoria da Educação / 5º Congreso Internacional sobre Liderazgo e Mejora en Educación, pp.157-168. CIIE – Centro de Investigação e Intervenção Educativas, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. [ISBN 978-989-8471-71-0].