Um exemplo da evolução histórica da didáctica organística em Portugal – o Manuscrito 52 da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra

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Editora Kelps, Goiânia

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No contexto das fontes manuscritas de música instrumental portuguesas dos séculos XVI e XVII, a sua atribuição a conjuntos instrumentais específicos ou a determinados instrumentos solistas constitui uma problemática sempre aberta a discussão e da qual podemos e devemos recolher sempre novos dados. Do ponto de vista quantitativo, é também relativamente escasso o número de peças para conjuntos instrumentais, encontrando-se muitas vezes esses exemplos dispersos por vários manuscritos na sua grande parte preenchidos com obras de polifonia vocal. Há todavia excepções. Uma das mais relevantes é o Manuscrito Musical 52 do acervo da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, integralmente constituído por uma série de peças para conjuntos instrumentais. Num artigo de 1983 (New Sources for the Study of the Portuguese Seventeenth-Century Consort Music), revisto e actualizado em 2002, Rui Vieira Nery procedeu à problematização da música de câmara instrumental ibérica nos séculos XVI e XVII, identificando e fazendo um estudo preliminar dos modos concertados patentes no MM 52 a atribuídos a Frei Teotónio da Cruz († 1653) e dos tons concertados dispersos noutros códices conimbricenses (MM 236 e 243) cujas autorias são de D. António da Madre de Deus († 1656), D. João de Santa Maria (†1654) e D. Gabriel de São João (†1651). Por sua vez, em 2004, Inês Pereira de Andrade procederia ao estudo exaustivo dos concertados de Frei Teotónio da Cruz no MM 52 (Os Modos Concertados e Frei Theotonio da Cruz). Todavia, a segunda metade deste último códice inclui uma série de peças instrumentais a quatro partes de autoria não atribuída, cujo estudo ainda não foi realizado. No presente artigo, pretendo precisamente discutir a problemática instrumental associada a este manuscrito, os vários questionamentos sobre a forma de execução das diversas peças que inclui, as hipóteses de autoria que podemos levantar e o seu enquadramento estilístico.

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Filipe Mesquita de Oliveira – (CESEM – UÉ Pólo Évora) - «Um exemplo da evolução histórica da didáctica organística em Portugal – o Manuscrito 52 da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra» - in Tópicos de pesquisa para a aprendizagem do instrumento musical – Research themes for the learning of musical instruments – coord. Eduardo Lopes (CESEM – UÉ Pólo Évora) – (Goiânia, Editora Kelps, 2017) - pp. 31-45 - ISBN 978-85-400-2146-4

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