Do efeito de estufa às alterações climáticas: fundamentos para uma intervenção educativa

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Universidade de Évora

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A possibilidade do aparecimento de alterações climáticas, associadas ao aumento da emissão antrópica de gases com efeito de estufa e ao consequente aquecimento global da baixa atmosfera, deixou de ser, no decorrer dos últimos dois decénios, uma questão de âmbito científico restrito; passou para o domínio público, configurando-se actualmente como um dos maiores problemas ambientais que a humanidade, no seu conjunto, enfrenta. Neste, como em muitos outros casos, o acumular das mudanças quantitativas associadas à nossa acção quotidiana, parece ter originado uma alteração qualitativa na relação homem – mundo que urge compreender melhor e, simultaneamente, dar a conhecer por todos os meios ao nosso alcance. A investigação educativa que aqui se apresenta insere-se neste domínio. Defendemos que a gravidade actual, mas sobretudo a longo prazo, de que se revestem as possíveis consequências das alterações climáticas, não só justifica, como até exige a sua abordagem em contexto educativo. Deste modo, o presente trabalho é o relato de um percurso em que a reflexão e a acção se completam e se legitimam mutuamente. Por um lado, fundamentamos e interpretamos os resultados de uma intervenção no terreno, através de um trabalho preparado e desenvolvido localmente com professores de Física e de Química e com os seus alunos do 9° ano de escolaridade. Por outro, defendemos que, dada a extrema complexidade do problema que enfrentamos, é necessário irmos colectivamente mais longe no nosso questionamento, voltando a buscar os fundamentos para a nossa acção em territórios situados a montante daquele onde habitualmente desenvolvemos a,praxis educativa. Centramos assim a nossa reflexão no domínio da responsabilidade. Esta responsabilidade, associada ao saber previsional, carregado de incerteza, que fomos recentemente acumulando, não é apenas local e imediata. Abrange a Terra inteira e projecta-se num futuro longínquo, envolvendo na sua esfera de influência as gerações vivendo nesse futuro. Daí que o saber que estamos a construir só ganhe plenamente sentido se estiver ligado ao poder que detemos em cada um dos domínios do nosso agir. Defendemos que, como educadores, o poder de intervenção que o nosso saber legitimamente nos confere ultrapassa o terreno da prática quotidiana da cidadania. A educação para a sustentabilidade configura-se assim como um projecto a longo prazo, mas a encetar desde já, virado para a acção e associado à transmissão de um património global, frágil e insubstituível, de que somos, provisoriamente, os usufrutuários.

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