Contributo para o estudo da utilização de proteínas vegetais pelo vitelo pré-ruminante: soja, tremoço, glúten de trigo e batata

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Universidade de Évora

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"Sem resumo feito pelo autor"; O trabalho apresentado aborda o problema da utilização de proteínas de origem vegetal como alternativa às de origem láctea, em leites de substituição para vitelos. Estudaram-se aspectos relacionados com a excreção de marcadores utilizados para avaliação de alterações da permeabilidade intestinal e/ou da utilização digestiva dos constituintes do alimento a diferentes níveis do tracto digestivo. Para o referido estudo realizaram-se três experiências. Na primeira experiência avaliou-se a permeabilidade intestinal, a vários marcadores, em 28 vitelos pré-ruminantes e em três períodos distintos. Os animais, distribuídos por quatro grupos experimentais, receberam diferentes leites de substituição incorporando como fontes proteicas leite em pó desnatado (dieta testemunha) ou lactosoro e produtos de soja (71 % do total da proteína) diferindo entre si pela sua actividade antigénica (dietas isolado de soja experimental, concentrado de soja de baixa actividade antigénica e farinha de soja antigénica). No período pré-experimental, a excreção média do D-manitol, da sacarose e do Cr-EDTA representou, respectivamente, 2,78, 3,05 e 2,22% da dose oral. Pelo contrário, a excreção de D-xilose foi 10 vezes superior (25,7% da dose oral) e apresentou um tipo frequência de distribuição "skewly". A excreção urinária de todos os marcadores apresentou uma elevada correlação com o volume de urina excretado. Assim, para as comparações das excreções urinárias entre marcadores e avaliação do efeito da dieta, determinou-se uma formula de correcção, utilizando-se para tal um volume de urina "standard". Os valores corrigidos da excreção de D-manitol, de sacarose e de Cr-EDTA apresentaram uma elevada correlação entre si, assim como também a razão de excreção sacarose / D-manitol e CrEDTA / D-manitol. Pelo contrário, a D-xilose foi excretada na urina independentemente dos outros marcadores testados. Considerando os três períodos de avaliação da permeabilidade intestinal, a excreção urinária de sacarose e de D-manitol, durante um período de 6 horas, variou entre 1 e 3% da dose oral independentemente das dietas ou idade dos animais. A excreção de Cr-EDTA foi em média de 2 e 4% da dose oral após 6 e 24 horas de recolha de urinas, respectivamente. A excreção de Cr-EDTA, durante o período de 24 horas, foi diminuída transitoriamente, duas semanas após o início do ensaio, nos animais que receberam a dieta farinha de soja antigénica, em relação aos que receberam a dieta testemunha (2,9 vs 6,0%, p <_ 0,05). O mesmo foi observado em relação à excreção urinária de D-xilose com as dietas baseadas no concentrado de soja de baixa antigenicidade e na farinha de soja antigénica (respectivamente, 19 e 16 vs 33,8%, p<_ 0,05). No que concerne à concentração plasmática deste açúcar, embora não se tenham registado efeitos significativos da idade ou das dietas (0,15 < p < 0,84), observou-se uma depressão considerável da concentração de D-xilose 2,5 horas após a sua administração, nos animais que receberam as dietas baseadas nos produtos de soja. Concluiu-se que os marcadores utilizados no presente trabalho são apropriados para avaliação da permeabilidade intestinal no vitelo pré-ruminante apesar das taxas de excreção terem diferido entre marcadores. Alterações da permeabilidade intestinal, em resposta à proteína de soja antigénica, foram de fraca magnitude e transitórias e detectadas apenas quando da utilização do Cr-EDTA e da D-xilose como marcadores. Finalmente, no vitelo pré-ruminante, a excreção urinária dos marcadores utilizados na presente experiência, difere substancialmente do observado em outras espécies. Na segunda experiência ofereceram-se sucessivamente, a vitelos pré-ruminantes, intactos ou munidos de uma cânula íleo-cecal, três leites de substituição nos quais a proteína foi proveniente exclusivamente de leite em pó desnatado (dieta testemunha) ou maioritariamente (71%) de um concentrado comercial de soja ou de tremoço (dietas soja e tremoço, respectivamente). Os testes in vitro mostraram que ambos os concentrados proteicos foram parcialmente proteolisados e apresentaram baixas actividades antigénica e antitripsínica. O nível plasmático de triglicéridos pós-prandial foi superior com ambas as dietas de leguminosas sugerindo uma mais rápida evacuação gástrica das matérias gordas e provavelmente da proteína. A digestibilidade aparente fecal do azoto foi inferior (p< 0,05) com as dietas soja e tremoço em relação à dieta testemunha (0,86, 0,88 e 0,95, respectivamente). Ao nível ileal, as diferenças observadas foram menores e já não significativas (0,90, 0,88 e 0,92) para o azoto, mas permanecendo ainda significativas para a valina e tirosina com a dieta soja, e para a prolina, valina, metionina, leucina e lisina com a dieta tremoço. No entanto, as diferenças em relação à dieta testemunha foram pequenas. Em conclusão, a desnaturação das proteínas da soja e do tremoço por processos como a sua hidrólise parcial permitem suprimir as suas actividades antigénicas e toma-Ias muito digestíveis. Finalmente, na terceira experiência ofereceram-se sucessivamente, a vitelos pré-ruminantes, intactos ou munidos de uma cânula íleo-cecal, três leites de substituição nos quais a proteína foi proveniente exclusivamente de leite em pó desnatado (dieta testemunha) ou parcialmente (52%) substituída pela de um concentrado proteico de glúten de trigo nativo ou de batata (dietas glúten e batata, respectivamente). A digestibilidade aparente fecal do azoto foi inferior (p <_ 0,05) com a dieta batata em comparação com as dietas glúten e testemunha (0,90, 0,93 e 0,95, respectivamente). O mesmo foi observado ao nível ileal. (0,83, 0,87 e 0,9 1, respectivamente). A digestibilidade aparente da maioria dos ácidos aminados foi inferior com a dieta batata em comparação com a dieta testemunha (p <_ 0,05) com o ácido glutâmico, prolina, cisteína, metionina, isoleucina, leucina, tirosina e lisina). O mesmo foi observado com a dieta glúten, mas apenas com diferenças significativas para a lisina. A digestibilidade, aparente do ácido glutâmico e da cisteína foram ainda inferiores (p < 0,05) com a dieta batata, em comparação com a dieta glúten. Foram detectadas, por análise imunoquímica, fracções proteicas de massas relativas de 43 000 e inferiores a 14 000 no digesta ileal correspondente à dieta batata, mas nenhuma imunoreactividade foi detectada no digesta da dieta glúten. No entanto, o considerável enriquecimento do digesta em ácido glutâmico e prolina com a dieta glúten indica que fracções proteicas alimentares ricas nestes dois ácidos aminados escaparam à digestão do intestino delgado. Com a dieta batata, as fracções indigeridas apresentaram níveis elevados de ácido aspártico, ácido glutâmico e cisteína.

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