Lost in translation? Antiguidades, Reforma e Contra-Reforma: breves reflexões sobre o caso português
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CHAM & Húmus
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Em plena (re)descoberta da excelência clássica, os Humanistas sublinham a relevância de certas tipologias documentais para lá das literárias e oratórias, no processo de
conhecimento do pretérito. Herdando da medievalidade o apreço pelo estudo filológico
e literário, fascina-os a análise epigráfica enquanto testemunho tangível de um passado
nem sempre entendível. Mais do que isso, identificando omissões, amorfismos e visões
truncadas do passado, estes estudiosos procuram discerni-lo de uma forma que entendem mais directa e objectiva porquanto presumidamente despojada dos filtros aplicados
ao longo dos tempos por quem relatava, interpretava e transmitia episódios transactos.
Censurando a dominante atitude acrítica prevalecente no seio dos cronistas medievais,
afirmam, também deste modo, o fulgor intelectual nutrido por uma burguesia ávida de
rasgar enraizadas convenções sociais.