Fauna Ibérica e Insular

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Universidade de Évora

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Este livro estabelece a base biofísica necessária para compreender a biodiversidade da Península Ibérica e dos arquipélagos atlânticos, argumentando que o estudo do relevo, geologia e clima é o alicerce indispensável do conhecimento faunístico. Detalha a complexa formação geológica da Península, desde a consolidação do Maciço Ibérico na Orogenia Varisca até à configuração moderna definida pela Orogenia Alpina, que ergueu as grandes cordilheiras e criou bacias sedimentares. Esta matriz geológica condiciona a hidrografia, caracterizada por uma rede de drenagem predominantemente atlântica e um regime fluvial de extremos sazonais. Climaticamente, destaca o contraste entre a "Ibéria Húmida" (Norte) e a "Ibéria Seca", o que determina a fronteira entre as duas grandes regiões biogeográficas: a Eurosiberiana e a Mediterrânica. Paralelamente, os arquipélagos da Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias) são apresentados como laboratórios evolutivos distintos, onde a biodiversidade resulta de dispersão e radiação adaptativa em isolamento vulcânico, contrastando com a vicariância continental. Um ponto central é o papel das Glaciações Quaternárias. A Península Ibérica, devido à sua topografia complexa, funcionou como um refúgio glacial vital ("refúgio dentro do refúgio") para a biota europeia. Este isolamento histórico fomentou uma elevada taxa de endemismo e moldou a estrutura genética das populações atuais. Em síntese, define a Península Ibérica como simultaneamente um "museu", que preserva linhagens antigas, e um "berço" de novas espécies, alertando que a conservação deste património exige uma compreensão profunda da sua história evolutiva e biogeográfica.

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Mira. A 2025. Fauna Ibérica e Insular. O Contexto Biofísico e Biogeográfico. Universidade de Évora, ISBN: 978-972-778-512-4

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