Processos cognitivos e os seus efeitos na linguagem dos idosos
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A língua, o discurso, a voz e as capacidades comunicativas sofrem mudanças ao longo da vida adulta, tornando-se especialmente evidentes após os 65 anos. A literatura das últimas três décadas evidencia melhorias em certos domínios linguísticos, como o léxico, mas também perdas subtis relacionadas com a fala e o desempenho comunicativo. A compreensão da linguagem requer ativação dos córtices bilaterais frontais, temporais e
parietais, cuja integridade está associada à sintaxe. O declínio do córtex fronto-temporal pode gerar dificuldades linguísticas, frequentemente compensadas por maior atividade no hemisfério direito, mesmo em
tarefas simples. Processos cognitivos como velocidade de processamento, memória de trabalho, funções executivas e atenção são fundamentais e sujeitos a alterações neurológicas que influenciam diretamente o uso da
língua. Alterações fonológicas, semânticas, sintáticas, discursivas e pragmáticas são exemplos de mudanças decorrentes do declínio cognitivo.
O presente estudo adotou uma metodologia exploratória, centrada no estudo de caso. Com uma amostra de 15 participantes, sendo nove institucionalizados e seis em autonomia residencial, foi realizada uma recolha de dados que envolveu um teste de acesso lexical e o levantamento de informações relacionadas com idade, escolaridade e práticas cognitivas. O objetivo principal consistiu na comparação entre os dois grupos, a fim de identificar as variáveis mais relevantes na preservação das competências linguísticas e cognitivas. Este estudo contribui para um entendimento mais profundo sobre o impacto do envelhecimento na linguagem e cognição.