As Rimas de António Sérgio como poesia filosófica

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Universidade de Aveiro

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As Rimas são o único volume de poesia de António Sérgio (1883-1969), tendo sido editadas em 1908, por iniciativa de um amigo. Os poemas aí contidos terão sido escritos maioritariamente no início da primeira década do século, estando biograficamente ligados ao período em que Sérgio conhece aquela que virá a ser sua esposa e companheira intelectual - Luísa Estefânea Gershey da Silva (1879-1960). Em 1909 serão editadas as suas Notas sobre Antero de Quental. Em ambos os volumes sente-se a mesma presença, constante, profunda e dominante, de preocupações filosóficas. Isso mesmo foi reconhecido por um dos seus primeiros e sagazes leitores: o eminente publicista brasileiro Sylvio Roméro escreveu a propósito das Rimas, tratar-se de uma poesia: “larga e forte, como filha de um pensamento disciplinado pela filosofia”. De facto, é possível encontrar nas Rimas algumas das intuições e atitudes filosóficas fundamentais que alicerçam o seu ideário e o seu activismo intelectual. Vale a pena destacar entre elas, a do primado da moral e a centralidade do Todo-Uno ou do Uno-unificante. Perceber a génese dessas intuições e atitudes, às quais Sérgio se conservará fiel, mostrando como elas se constituíram co-habitando com uma vivência de dúvida e angústia existencial que se plasmou num sentir e expressão poéticos é aqui o nosso propósito.

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Príncipe, João (2021a) «As Rimas de António Sérgio como poesia filosófica», in António M. Ferreira, Carlos Morais, João Príncipe, Maria F. Brasete, Rosa L. Coimbra (2021) António Sérgio: Literatura e crítica literária, Coleção Voltar a Ler 5, Universidade de Aveiro, Aveiro, ISBN 978-972-789-719-3, DOI https://doi.org/10.48528/z3rn-4747; pp. 15-43.

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