REPENSAR O PAPEL DA EMPRESA NA SOCIEDADE: NOTA INTRODUTÓRIA
Loading...
Date
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Almedina
Abstract
Já nos séculos XVIII e XIX era possível encontrar acções colectivas de carácter caritativo que envolviam o estado e o empresariado e que visavam sobretudo reduzir situações de pobreza e antagonismos dela decorrentes. Nesta época, a intervenção social empresarial expressava-se através da caridade pontual de beneméritos como forma de governar a miséria.
Como observou Bronislaw Geremek (1986), tanto no discurso filantrópico, presente desde o século XIX na Europa, como no discurso da Igreja Católica, o problema da pobreza era encarado como algo degradante, conduzindo a atitudes de piedade e de caridade. Neste período, a filantropia fundamentava-se na beneficência individual e no pressuposto de que a ajuda aos pobres deveria advir da iniciativa particular, inspirada por motivações mais elevadas do que as que movem a assistência estatal. Conforme o autor, tratava-se da laicização do mandamento do amor ao próximo. E acrescentou: “a actividade filantrópica, traduzindo o desejo humanitário de socorrer outrem, permite que o benfeitor mostre a sua riqueza e afirme publicamente o seu prestígio social” (Geremek,1986: 16).