Ontologia e historicidade na teoria estética de Theodor Adorno

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Universidade de Évora

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A Dissertação propõe-se um triplo objectivo convergente: 1. reconstruir as articulações estético-histórico-ontológicas fundamentais do pensamento de Adorno, a partir de uma leitura micrológica dos tópicos do belo natural (estética do diurno promissor – cap. 1), da arte novecentista como "participação no sombrio" (na noite da História – cap- II) e da natureza morta (memento crepuscular quedando interdito – cap. UI); 2, expandir e esclarecer o pensamento adorniano retomando-o na sua voz activa e experimentando-o como modo-depensar exercendo-se em novas constelações da Modernidade, efectivamente suas afins mas por ele não inteira ou expressamente pensadas (onde avulta, central, a relação "di à écti ca-flumini sta' entre a vontade de sistema, em Kant, e a figura da Razão como fatal totalidade abstracta reificada: o Monólito negro de Kubrick, na linha de Poe a Malévitch); 3. e compreendê-lo mediante radical confrontação critica – aqui com Heidegger, cuja viragem ontológica permite, e obriga a, repensar a relação crucial, na obra de arte como no real histórico, entre construção ("imanente") e aparição ("transcendente"). Numerosas reinterpretações no campo da literatura (Sophia, Pessoa... ), da pintura (Ruisdael, Ernst, Van Gogh...), da arquitectura (La Alhambra ... ) incorporam-se como "momentos pregnantes", que são também "enigmas sem chave", neste trabalho de elucidação temática e de problematização radical. Como primeiro troço de uma investigação mais vasta, o trabalho argumenta a tese de que, se numa inteligibilidade ôntica a aparição e um efeito da construção e, o Reconciliado, da mediação histórica, ontologicamente não são apenas os próprios termos da relação que se invertem, mas desde logo a própria relação que se subverte em "Diferença".

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