Antonio Negri: do operaísmo à multidão

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Documenta

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A reflexão política de Negri anterior a 1979 encontra-se, por um lado intimamente vinculada à praxis revolucionária, isto é, à sua experiência militante no seio do operaismo italiano; por outro, afastada por completo da produção teórica eminentemente filosófica, produzida em vista da carreira académica . Uma separação radical entre “filosofia” e “política” que, aliás, se encontra confirmada pelo hábito de utilizar duas assinaturas diferentes para os textos militantes e para os académicos: Toni e António. Depois de 1979, muito pelo contrário, a filosofia, ou melhor, uma específica tradição filosófica materialista, adquire uma significação imediatamente política, representando a condição sine qua non da constituição de uma ontologia revolucionária. Podemos, então, concluir que o arresto de Negri, fechando a específica conjuntura militante, acarreta uma profunda fratura teórica, isto é, a deslocação da sua reflexão do plano da “política” para o da “filosofia”? É em virtude de uma “rutura epistemológica” que se torna, então, possível a constituição da “ontologia negriana”? A hipótese que tentaremos demonstrar ao longo do artigo é exatamente oposta: a viragem para a ontologia, longe de resultar de uma “fratura”, constitui, muito pelo contrário, a única maneira de Negri se manter fiel à perspetiva operaísta revolucionária, elaborada ao longo da época de militância ativa.

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«Antonio Negri: do operaísmo à multidão», in B. Peixe Dias, J. Gomes André e J. M. dos Santos (Org.), Teorias políticas contemporâneas. Lisboa, Documenta, pp.277-297 (ISBN: 978-989-8618-91-7).

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