Certamente ídolos, ou coisa semelhante: estudo historiográfico e comparativo dos exemplos e sensibilidades do elemento 'pré-romano' na arte das antigas sociedades do território português.

Abstract

"Sem resumo feito pelo autor"; - Iniciaremos o nosso percurso pela abordagem e consideração de diversos aspectos que se congregam no sentido preliminar que antecede todo o necessário âmbito de um universo particular de estudo. Destaca-se, obviamente, toda a importância e interesse que detêm as peças de uma antiga realidade histórica e cultural; mas, para as compreendermos, tanto no seu respectivo valor documental, como, até, no seu papel actual, houve que prosseguir o esforço de tentar perceber o modo como foi resgatada cada uma dessas antigas realizações, ou como vieram a merecer a valorização que, entretanto, lhes conferimos. Se, é certo, as civilizações tentam restituir-se pela globalidade das suas realizações, não será menos evidente que cada cultura possui a sua própria capacidade de expressão de valores e habilidade técnica que transforma o que, por carácter intrínseco, pertence ao domínio espiritual. Daí a dupla importância concedida aos objectos e artefactos que se repartem por diferentes áreas e possuem, cada qual, a sua própria cronologia, repartem por diferentes áreas e possuem, cada qual, a sua própria cronologia, sendo, então, sinais do tempo que passou, tanto quanto possuem, afinal, o carácter 'anti-histórico', de representarem, enfim, algo que permanece, e simbolizando, enquanto matéria, tudo o que não tem formulação possível, senão somente como aproximação a ideias e emoções. Na explicação possível dos versos de Estesícoro de Himera, poeta grego arcaico, o qual, desde logo, pela época em que se insere, muito se enquadra no que se pretende aqui evocar do domínio de séculos, ao mesmo tempo nebulosos e maravilhosos, e cuja palinódia nos vem servir aqui de epigrama, ao indicar-se que não é verdade uma determinada história, pressupõe-se como necessário a apresentação de uma explicação alternativa quanto ao que se julgava ter sido a ((verdade)), mas que o reposicionamento de perspectivas vem a conceder novo entendimento. É afinal, esse, o propósito de todo o estudo e investigação, não que sempre se consiga desmentir o que foi dito antes ou concretizar eficazmente qualquer proposta de correcção, mas, pelo menos, é, cada dissertação que se completa, uma tentativa nessa via. Estesícoro pegava num tema tradicional, a gesta de Helena, e transformou-o, aqui, pela invenção, ou, porventura, pela atenção que lhe prendera alguma coisa lógica que outros, antes de si, talvez não tivessem reparado. E assim, apresentou a princesa de Tróia como tendo sido raptada e lavada para o Egipto, numa versão alternativa dos elementos que eram correntes. Não importa salientar qualquer juízo acerca do resultado conseguido com esta alteração; trata-se somente de um poema. 0 que importa, antes, é reparar no modo como o poeta se propôs compor uma mudança no que seria comum aceitar-se como certo. Deslocou a perspectiva de abordagem do tema tradicional e apresentou outra, contando, seguidamente, a mesma história, mas à sua maneira. De certo modo, é precisamente isso o que se assume, também, como nossa intenção: contar e descrever algo que, desde há muito, é, de facto, um tema tradicional, com as suas respectivas ideias associadas, em conclusões que, facilmente, se vieram a tornar correntes, ao ponto de se reduzirem ao âmbito de ideias comuns que dificilmente esclarecem o que se procura da verdade histórica. E, do que houve a cumprir, foi, desde logo, a revisitação da própria tradição, ou seja, a releitura do que já havia sido dito e publicado quanto à Antiguidade do território, de modo a aferir a possível crítica. Sucede que, do aprofundamento que veio a decorrer desse mesmo trabalho, tanto houve aspectos que, de facto, se vieram a esclarecer na sua devida profundidade, como outros que, muito enraizadamente, não deixaram de ficar apegados à intuição fundamental com que, pela primeira vez, viriam a ser formulados, mas ficando entretanto esquecidos. Por isso mesmo, houve que reescrevê-los; mas uma coisa ao lado da outra. 0 trabalho historiográfico nunca foi um acto imparcial.

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