O claustro do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova de Coimbra. Estudo arquitectónico do sistema hidráulico implementado com a reforma barroca
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Rui Fernandes Póvoas e João Mascarenhas Mateus
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Este artigo pretende incidir sobre a história da construção do claustro do Mosteiro de Santa Clara-
-a-Nova de Coimbra, em particular na reforma que ocorre a partir de 1737. É sobre a tutela de protagonistas do Ciclo do Aqueduto que esta se opera, reflectindo preocupações não só estilísticas como
políticas, inerentes à saúde dos povos. Propomo-nos analisar a história da construção, a tratadística e o
estudo da arquitectura da água no claustro, através do desenho e da análise documental.
A traça do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (1648) é da autoria do engenheiro-mor do reino Frei
João Turriano. A documentação relativa à obra sugere que é sua a planta universal, que estabelece as
principais linhas orientadoras do cenóbio. Será ainda segundo a sua traça que, em 1722, se inicia a
construção do claustro.
Na sequência da ruína de uma ala, em 1737 é pedida a demolição da abóbada do lado do olival. É
sobre a direcção de Custódio Vieira que se inicia a reforma estrutural do piso térreo, alterando definitivamente a sua tipologia original. Custódio Viera e o seu sucessor, Carlos Mardel, para além de
alterarem a estrutura, introduzem a arquitectura da água, característica da cultura tratadística com
base na política de felicidade dos povos, ligada às correntes do iluminismo (Carreira,2012; pp.3,4). A
obra encetada no claustro a partir de Vieira é caracterizada por um conjunto de fontes que compõem
o espaço, as quais fazem parte de um complexo sistema hidráulico, o qual deveria concluir-se com a
construção do novo Aqueduto de Santa Clara (1789) de Manuel Alves Macomboa.
A partir do estudo documental e da elaboração de desenhos do claustro, propõe-se relacionar a tratadística com o sistema construtivo empregue, que resulta num modelo híbrido, onde se conjugam
diferentes culturas arquitectónicas.