Modos de afecção, conspirando com as ribeiras

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Este capítulo escreve-se com Terra e Educação. Todo ele se desenvolve habitado por Michel Serres, filósofo dos direitos da Terra, a que naturalmente se juntam outros pensadores. Um filósofo que tanto nos dá. Ajuda-nos a pensar o mundo inquietante em que vivemos e sublinha a importância da novidade na criação de outros mundos possíveis. A novidade é, nas palavras dele, como o ramo de uma árvore que se aventura no espaço a partir de uma haste. E é ramo o que aqui fabricamos, com base na investigação que temos vindo a desenvolver. Com Michel Serres, com professores, com crianças e jovens de várias idades, fomos para junto de duas ribeiras onde vimos nascer o espanto perante tanta ligação nas coisas do mundo, onde vimos brotar a liberdade, a empatia, a fruição, a reverência e a vontade de cuidar. Nos nossos modos de acção estão presentes pressupostos variados, de entre os quais destacamos a importância das experiências directas e sensíveis no desenvolvimento da afeição por um lugar que se transporta a outros lugares. Desta forma, e tendo como sujeitos de afeição duas ribeiras na proximidade de Évora, uma em razoável estado de integridade, e a outra muito degradada, observámos como a afeição desenvolvida por todos, nas experiências continuadas e sempre novas com a primeira ribeira, se transportou para a ribeira degradada. E assim acompanhámos a emergência de uma novidade que não acontece na escola formal; a vontade de cuidar das ribeiras.

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Ilhéu M, Valente M (2022). Modos de afecção, conspirando com as ribeiras. In Desenvolvimento sustentável - Verdades e consequências (Collares Pereira M, Coord.) Lisboa: Documenta, 197-218pp. ISBN -978-989-8833-86-0.

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