Tragicomédias de Julião Machado (1863-1930) e uma cena extra: José Malhoa no Rio de Janeiro em 1906

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Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa

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«Que dados biograficos te posso eu dar, de / mim? Sou um pobre diabo sem “passado”. (…) Fiz bonecos, sempre bonecos, uns máos, outro (sic) peio-/res, mas procurando exprimir, com sinceridade, / sentimentos, ou idéas, o que quer dizer que fui / sempre um sensaborão para todos a quem os / sentimentos e as ideias, expressas com sinceridade, não interessam. Resido ha perto de trinta / anos no Rio de Janeiro, onde algumas pessôas / de bem me distinguem com a sua estima / e mesmo com a sua amizade. Entre varias bla-/gues que fiz para theatro, escrevi O Modelo, / em trez actos, que conheces, porque a viste brilhan-/tissimamente representada pelo Chaby [Pinheiro] e pela / Aura [Abranches], cujos talentos fizeram d’ella uma cousa / que a mim mesmo surpreendeu… E é tudo!» Não, não era tudo. Caricaturista extremamente admirado sobretudo no Brasil, ilustrador de jornais e livros, cenógrafo, desenhador de ex-libris, jornalista, dramaturgo, escreveu o parágrafo anterior com o torturado desencanto de um final de vida descontente.

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