A dinâmica do sujeito teatral: em trois coups sous les arbres. Théâtre sasonnier de René Char

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Universidade de Évora

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"Sem resumo feito pelo autor"; O presente estudo incide sobre a emergência do conceito sujeito teatral aplicado a Trois coups sons les arbres.Théâtre Saisonnier de Renê Char e contempla dois aspectos interligados entre si pelo género. O primeiro aponta para um domínio mais lato, a subjectividade, enquanto o segundo se restringe à obra teatral referida, que serve de exemplo para demonstrara relevância e aplicabilidade da proposta e, em simultâneo, dar a conhecer uma faceta menos divulgada do seu autor. Ao constatar que designações como «sujeito lírico», «narradora»/«narratário» são referidas e utilizadas com segurança, e sem grandes discussões, nas reflexões sobre a lírica e a narrativa, pareceu-nos premente encontrar um conceito e uma terminologia similares, ajustados ao género em estudo. Destacar-se-ão, assim, através de uma estruturação sistémica da entidade sugerida, as várias componentes envolvidas nos textos, o que proporcionará um alargamento da compreensão da complexidade do sujeito, em geral, e da organização conceptual e estética da obra, em particular. Em nosso entender, a subjectividade constitui o cerne da dinâmica do dito e do implícito, exprime a essência concreta, alegórica, estética e ética, entre outras, da linguagem, o que faz convergir, textualmente, para um mesmo centro, o sujeito teatral. Por sua vez, este é composto pela multiplicidade de recursos, abstracções e mundividências recriados pela palavra e por linguagens várias de outras artes, através dos quais a obra teatral ganha sentido, inclusive face à época histórica e sócio-cultural. Um modelo de análise textual integrado na subjectividade teatral exige, assim, para a sua consecução, o reconhecimento de várias vozes, e respectivas mediações, conjugadas em processos de revelação e de ocultação, inerentes à dupla vertente do texto de teatro, didascálias e diálogos. Ao relacionar o sujeito como género em questão, move-nos o objectivo de clarificar coordenadas envolvidas na criação e respectivos pressupostos teóricos manifestos, de modo a repensar algumas premissas referentes à análise do texto de teatro. Em suma, os vectores que compõem a moldura teórico-prática desta dissertação integram-se na reflexão sobre as incursões do sujeito no género teatral aplicadas ao corpus referido, no intuito de contribuir para o entendimento da sua natureza, funções e influências e de realizara devida caracterização. No respeitante ao termo «dramaturgia», utilizamo-lo no sentido lato, de estética teatral. Segundo Pavis, esta integra uma amplidão de áreas que devem ser consideradas, uma vez que formula «les lois de composition et de fonctionement du texte et de la scène. Elle intègre le système théátral dAns un ensemble plus vaste, genre, théorie de la littérature, système des beaux-arts, catégorie, théâtrale ou dramatique, théorie du beau, philosophie de la connaissance». Esta teia imbricada de relações realça a subtileza da problemática em foco e suscita a atenção para uma cadeia complexa, o que exige um enfoque multidisciplinar para aceder à compreensão da dramaturgia de Renê Char. Compreendê-la implica, pois, recorrer a processos intrínsecos e extrínsecos aos textos e articular um conhecimento teórico (a subjectividade associada ao género teatral) a um conhecimento estético (o texto em si, indissociável da sua matéria artística). Tal empreendimento abrange quer os estudos literários, quer os estudos teatrais, e acentua a pertinência do diálogo entre vários domínios que seleccionámos, em detrimento de outros, por razões de delimitação metodológica e restrição analítica. O campo de estudos e a especificidade do corpus escolhido levam-nos, pois, a dirigira pesquisa para essas vertentes, intrinsecamente latentes, e contemplar, teoricamente, a tríade autor/sujeito/leitor e, analiticamente, os elementos textuais identificadores do género teatral, a saber, os diálogos e as didascálias, através dos quais se dinamizam as categorias específicas de personagens, espaço, tempo e acção. Assim, uma abordagem da subjectividade teatral não poderá ser cabalmente clarificada, sem um equacionar prévio da sua relação com disciplinas directamente ligadas à análise do «sujeito».

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