Os Lusíadas ao serviço da ditadura de Salazar: processos de censura na reescrita de João de Barros

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O presente estudo centra-se nos processos de censura que uma reescrita sempre exige, mesmo em obras de potencial receção juvenil, sobretudo durante um regime ditatorial. Deste modo, debruçamo-nos sobre a reescrita da obra de Luís de Camões, Os Lusíadas, da autoria de João de Barros (1881-1960), intitulada Os Lusíadas de Luís de Camões Contados às Crianças e Lembrados ao Povo (1930), tendo em atenção as edições desta obra, publicadas entre 1930 e 1952, disponíveis na Biblioteca Nacional de Portugal. Os objetivos deste estudo foram compreender de que modo João de Barros, na sua reescrita, censurou o texto camoniano e perceber se as partes censuradas obedecem à visão de sociedade, em vigor durante a ditadura de António de Oliveira Salazar. Para tal, como metodologia, considerámos a pesquisa documental, que tem como objeto de análise as fontes primárias; tivemos, ainda, em conta, na metodologia, os conceitos de transtextualidade, paratextualidade e hipertextualidade. A análise dos paratextos e dos textos, das distintas edições da reescrita em estudo, mostra-nos os seguintes resultados: João de Barros censurou ferozmente o texto camoniano, tornando-o num produto que vai ao encontro do ideário da ditadura de Salazar, marcado pela trilogia Deus, Pátria e Família.

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Balça, A & Azevedo, F. (2025). Os Lusíadas ao serviço da ditadura de Salazar: processos de censura na reescrita de João de Barros. In S. Reis da Silva, R. Tena Fernández & J. Soto Vázquez (Coord.), Censura y educación en la LIJ durante las dictaduras de Franco y Salazar (pp. 97-130). Editorial Arcadia

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