A cidade de Caim em L’Emploi du temps de Michel Butor
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Centro de Estudos em Letras
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Ao ler a obra de Michel Butor, ficamos surpreendidos com a proliferação de elementos intertextuais, sobretudo a dos fragmentos mitológicos. Será, sem dúvida, a cidade maldita, na qual os heróis de Butor estão, de certa maneira, condenados a uma permanência e a uma errância, onde se esforçam para encontrar a sua razão de ser, o seu tema mitológico predilecto, dado que lhe dedica quase exclusivamente uma das suas narrativas: L’Emploi du temps. Parece, assim, relevante analisar como este escritor do século vinte, trata, em moldes literários, o tema judaico-cristão da cidade maldita.
Com esse objectivo, abordaremos três aspectos marcantes desta caracterização. Em primeiro lugar, veremos como é que Bleston revela ser uma cidade labiríntica, manifestando-se como a Cidade Inferno; em segundo lugar, mostraremos de que modo é que Bleston é a cidade de Caim, o amaldiçoado, mas também de Caim, o pai de todas as artes; e em terceiro lugar, tentaremos demonstrar que esta cidade é a imagem de uma nova mitologia resultante da tradição literária francesa do século dezanove.