“Morfogéneses: as Morphotopias de Jorge Martins”

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Catástrofes, padrões de Turing, fractalidades de Mandelbrot... Parece-me ter tido sempre o cuidado de ancorar as propostas no exame das obras e nos textos dos Cadernos. Talvez tenha conseguido. Sabemos agora que as "catástrofes" de Thom são funções matemáticas de um certo tipo, que qualquer matemático hoje é capaz de instanciar para "formar" objectos topológicos característicos; sabemos que os "padrões" de Turing são produzidos por um algoritmo (ou variantes) que os matemáticos e os físicos sabem fazer variar (para obter variados padrões em saída); sabemos que as "fractais" de Mandelbrot resultam de hipóteses reproduzíveis e de equações que, decerto complexas, têm permitido a muitos matemáticos (e artistas!) criar variantes. Aprendemos muito. O que não sabemos e ignoramos tanto como no início da caminhada, é qual é o "algoritmo" que leva / permite ao Jorge Martins pintar exactamente aquela imagem - "ilha" assim e não de outra maneira, aquele "Jardim probabilístico" (e não outro), aquela "dobra" com aquela cor e aquelas sombras e não outra com outras cores, dimensões, sombras... Não sabemos porque é que surgem como por acaso voos de "catástrofes", levas improváveis de "padrões" Turingianos, enxames de fragmentos esparsos (disjecta membra) de superfícies estilhaçadas por rasgões, quebras e fracturas. Não sabemos. Ficamos com a mesma perplexidade que nos envolvia ao começar. Rodeiam-nos de todos os lados as sombras das luzes e os paradoxos das soluções lógicas.

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Citation

Santos, José Rodrigues dos. "Morphogenèses. A Propósito da Exposição 'Topomorphias' de Jorge Martins" in Ferreira, J.A. (Org.) Topomorphias de Jorge Martins, Lisboa, Documenta, 2024. pp: 61-90. ISBN: 978-989-568-130-3

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