Aprendizagens no cuidado informal: Uma análise reflexiva do Estatuto do Cuidador Informal e de experiências de cuidadores/as informais
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Revista Portuguesa De Educação
Abstract
Embora as consequências do trabalho não remunerado de reprodução social tenham sido
debatidas nos últimos anos, foi apenas em 2019 que os/as cuidadores/as informais
romperam a “clandestinidade legal”, através da aprovação do Estatuto do Cuidador
Informal. Apesar do inegável contributo deste estatuto, são várias as fragilidades
apontadas, questionando-se essencialmente a falta de apoios económicos e sociais.
Contudo, a problematização do lugar dos processos, recursos e serviços educativos na
vida dos/as cuidadores/as informais raramente tem sido abordada, apesar das evidentes
necessidades de aprendizagem a este papel. Tendo por base uma análise reflexiva da
primeira autora, enquanto entrevistadora de cuidadores/as informais de sobreviventes de
AVC, pretende-se explorar o lugar e o papel da educação no Estatuto do Cuidador
Informal, assim como as perceções de cuidadores/as acerca deste documento legal e dos
seus processos de aprendizagem. Este trabalho evidencia o hiato entre o texto político e
a realidade dos/as cuidadores/as, vertendo-se no desconhecimento acerca das medidas e
serviços de apoio. Embora esteja previsto o direito à (in)formação, é relatada a escassez
de recursos e serviços educativos. Assim, as aprendizagens acontecem num plano
experiencial, de forma inconsciente, autónoma e pouco suportada, podendo contribuir
para desigualdades no campo do cuidado. Considerando a centralidade das
aprendizagens ao longo da trajetória do cuidado, assim como a sobrecarga física e
emocional deste papel, é essencial que políticas e práticas suportem os processos de
aprendizagem dos/as cuidadores/as e que contribuam para a sua literacia e consciência
cívica.
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Citation
Moura, A., Castanheira Pais, S., & Alves, E. (2023). Aprendizagens no cuidado informal: Uma análise reflexiva do Estatuto do Cuidador Informal e de experiências de cuidadores/as informais. Revista Portuguesa De Educação, 36(2), e23042