Economia e Atitudes Económicas no Alentejo Oitocentista

Abstract

"Sem resumo feito pelo autor"; - Este estudo é uma interpretação historiográfica sobre a economia e os interesses e atitudes das elites económicas no período da formação do Alentejo contemporâneo. Tomando como referência nuclear, para a segunda metade do século XIX (1840-1910), os espaços da economia e da elite da cidade de Évora, um dos polos de maior importância histórica e económica na região, procuro reapreciar os principais tópicos que têm dominado o debate em torno do Alentejo oitocentista. Na primeira parte discuto as características e tendências da economia alentejana durante aquele período. Passo em revista o falso problema da desindustrialização e acentuo o esforço realizado para dinamizar a indústria regional, mesmo que os parcos resultados obtidos a coloquem entre as zonas do país escassamente industrializadas. Para o sector agrícola, avanço com as primeiras estimativas directas do produto agrícola regional. Esta avaliação quantitativa, inédita para o século XIX português, permite reapreciar o crescimento agrícola e, fundamentalmente, pôr em evidência duas importantes características reveladas pela agricultura alentejana: a diversificação produtiva e a versatilidade face às condições do mercado. Na segunda parte analiso os interesses e atitudes da elite económica da região. Clarificado o universo dos principais protagonistas e alguns dos mecanismos sociais em que a sua coesão se cimentou, procuro desvendar, para três gerações, a dimensão, a natureza, as formas de concretização, organização e gestão dos interesses económicos, dando um enfâse especial aos interesses fundiários e agrícolas. Esta abordagem permite discutir, refutar ou matizar algumas das atitudes consideradas como padrão da "burguesia agrária" regional. Na conclusão, sintetizo as linhas essenciais do desenvolvimento económico do Alentejo durante a segunda metade do século XIX e realço a coerência existente entre o modelo realizado e o modo como as elites regionais concretizaram os seus interesses materiais. 0 balanço deixa enfraquecida a associação de um Alentejo simultaneamente cheio de potencialidades económicas e atrasado, devido a uma elite económica regional eternamente

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