Por uma poética da fragilidade. Para um museu dos Bonecos de Santo Aleixo
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MIDAS - Museus e Estudos Interdisciplinares
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Os Bonecos de Santo Aleixo constituem um património cultural e artístico, na forma originária de uma prática performativa de grande representatividade regional no Alentejo (Portugal). A fim de garantir a sua preservação, a continuidade da sua prática, assim como a sua divulgação, os Bonecos de Santo Aleixo foram objecto de um processo de transmissão por parte do seu último detentor, o mestre Talhinhas. Depois deste processo mantiveram-se, ao longo dos últimos 30 anos, como uma tradição depositada nas mãos de uma companhia de teatro, o Centro Cultural de Évora, que a preservou e apresentou um pouco por todo o mundo. Actualmente, cada vez mais se coloca a questão da preservação deste património por meio da sua musealização, dado o reconhecimento regional, nacional e internacional que granjeou, ao mesmo tempo que a fragilidade dos seus elementos materiais impõe uma certa urgência ao processo. Por outro lado, examinando a relação das artes performativas com os museus, verifica-se uma crescente orientação das práticas dos museus para os eventos ao vivo, mas também uma forte resistência. O que equaciono neste artigo é a hipótese de um museu para este património material e imaterial e que inclua não apenas os Bonecos e o conjunto de objectos que com eles vêm, mas ainda o conhecimento incorporado que eles também são enquanto património. Para isso, defendo um museu-escola, em que a preservação e a aprendizagem se façam juntamente, a fim de manter o repertório dos Bonecos de Santo Aleixo vivo.
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Ferreira, José Alberto, «Por uma poética da fragilidade. Para um museu dos Bonecos de Santo Aleixo», MIDAS - Museus e Estudos Interdisciplinares, 4.