Autoperceção de Saúde e Saúde Mental Positiva em Adultos Portugueses
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Centro de Investigação em Educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho
Abstract
O bem-estar é um conceito multifacetado, que abrange dimensões físicas, mentais, emocionais e sociais da vida do indivíduo. No contexto do envelhecimento, o bem-estar ganha uma relevância particular e parece estar intimamente ligado à forma como a pessoa percebe a sua saúde – a autoperceção de saúde. Essa perceção subjetiva, que envolve avaliações pessoais sobre o estado físico e mental, tem-se mostrado muitas vezes preditiva do bem-estar. Ao longo do envelhecimento, fatores como a autonomia, capacidade funcional, vínculos sociais e aceitação das mudanças corporais e cognitivas influenciam essa autoperceção. Destaca-se ainda o conceito de saúde mental positiva, entendido como um espectro contínuo que vai desde o florescimento, em que o indivíduo experiencia elevados níveis de bem-estar emocional, psicológico e social, até ao não florescimento, que reflete a ausência de saúde mental positiva, ainda que não necessariamente a presença de perturbação mental. Desta forma, o objetivo da presente investigação é explorar a associação da autoperceção de saúde com o bem-estar e a saúde mental positiva em adultos de meia idade e mais velhos portugueses. Participaram neste estudo 313 indivíduos dos 46 aos 84 anos. Os instrumentos utilizados foram um questionário sociodemográfico para recolher dados sociodemográficos e sobre a autoperceção de saúde, e o Mental Health Continuum – Short Form, para avaliar o bem-estar (total, emocional, social e psicológico) e a saúde mental positiva (florescimento e não-florescimento). Os resultados sugerem que a autoperceção de saúde (geral, física e mental) está positivamente associada a todas as dimensões do bem-estar e à saúde mental positiva, reforçando a importância da autoperceção de saúde como um possível preditor do bem- estar e da saúde mental positiva ao longo do envelhecimento. Estes resultados reforçam ainda a possibilidade do envelhecimento bem-sucedido e o bem-estar não dependerem apenas de condições objetivas de saúde, mas também da forma como os indivíduos percebem e interpretam o seu estado de saúde. Intervenções que promovam uma perceção mais positiva da saúde, que fomentem o autocuidado e integrem programas de literacia em saúde, poderão potenciar o bem- estar e a saúde mental positiva no processo de envelhecimento.
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Agostinho, I., Paulino, C., Carapeto, M. J. & Grácio, L. (2025). Autoperceção de Saúde e Saúde Mental Positiva em Adultos Portugueses. In B. Silva, L. S. Almeida, R. Alves, A. C. Santos, L. Dourado, A. Risso, M. Peralbo, E. B. Enriques, A. V. Aria & J. C. B. Blanco (Orgs.), Livro de atas do XVIII Congresso Internacional Galego-Português de Psicopedagogia (pp. 2742-2751). Centro de Investigação em Educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho. ISBN 978-989-8525-88-8