O ensino da Arquitectura. Dois modelos
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BA Boletim Arquitectos
Abstract
No actual modelo de ensino de arquitectura, os estudantes, em muitos casos, ocupam-se da aprovação rotineira nas várias unidades curriculares, das dificuldades associadas ao pagamento das propinas, das diferentes formas de creditação de competências, da obtenção de determinado número de ECTS e, por fim, do diploma, num sistema altamente burocratizado, onde a aquisição de conhecimentos é menos relevante. Valoriza-se assim a mera obtenção do título, nunca se aferindo a sua plenitude e em detrimento do que é verdadeiramente importante: a preparação para o mundo profissional. Apesar de poder ser considerada um fenómeno recente, por ser originária do século XIX, a avaliação é, em qualquer escola de arquitectura, pública ou privada, um símbolo da importância desmesurada dos formalismos em detrimento dos conteúdos, pervertendo largamente as relações pedagógicas por se ter tornado o centro dos resultados obtidos. A atribuição de classificações não responde a uma necessidade educativa, nem está forçosamente ligada à aprendizagem; no entanto, em quase todas as escolas de arquitectura, os alunos não reclamam do absentismo de um docente nem da sua incapacidade ou incompetência, mas, absurdamente – porque deveria ser o menos importante destes infortúnios –, reclamam amíude de classificações que consideram menos justas. Estão inseridos numa sociedade onde é atribuído especial valor a um resultado imediato e superficial e onde se desvaloriza o conteúdo, o conhecimento e a erudição.
No Departamento de Arquitectura da Universidade de Évora tem-se procurado, com persistência, estabelecer uma alternativa a este entendimento do ensino; o curso de Mestrado Integrado em Arquitectura assenta a sua aprendizagem nos cinco ateliers de projecto, compreendendo-a como uma produção cultural, para onde confluem as diversas áreas do saber, num ensino claramente ligado à prática profissional e à investigação.