Exploração e conservação de recursos vivos do litoral rochoso alentejano
Loading...
Date
Authors
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Academia de Marinha
Abstract
Os recursos vivos da costa alentejana são actualmente explorados de diversas formas pelo Homem: desde a pesca comercial, que geralmente envolve embarcações e explora sobretudo
ambientes subtidais (exceptuando a apanha comercial de percebe), às pescas lúdica (de lazer
ou desportiva) ou de subsistência. Nestes dois tipos de pesca, são explorados ambientes
intertidais e subtidais, envolvendo ou não embarcações, mas o litoral (zona intertidal) rochoso
parece ser o ambiente explorado com maior intensidade e frequência.
Em estudos desenvolvidos pelo CIEMAR desde 1994, têm sido avaliados a intensidade e o
rendimento das principais actividades de predação humana exercidas no litoral rochoso
alentejano, bem como o impacte ecológico destas actividades e a opinião de pescadores do
litoral rochoso alentejano sobre o rendimento destas actividades e a sua evolução recente, e
sobre a necessidade e a pertinência da aplicação de medidas de conservação dos recursos por
eles pescados e de gestão da pesca por eles praticada, de modo a discutir e propor medidas
de gestão e conservação dos recursos e habitats afectados.
Com base em observações e inquéritos realizados in situ, e em vários anos, foi possível
demonstrar que a exploração humana de recursos vivos é muito intensa no litoral rochoso
alentejano. Embora esta exploração seja actualmente sujeita a regulamentação específica, é
rara e pontualmente controlada, a sua intensidade parece tender a aumentar, e o seu impacte
ecológico pode ser elevado e persistente. Deste modo, é urgente a aplicação de medidas de
gestão e conservação ao nível do ecossistema que permitam a utilização sustentável destes
recursos e habitats, tais como a aplicação e revisão da legislação existente, e a criação de
áreas marinhas protegidas, com base em estudos sobre as populações exploradas e os
impactes destas actividades.
Sendo grande parte do litoral rochoso alentejano pertencente à faixa marinha do Parque
Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, esta protecção legal é uma oportunidade
para a implementação destas medidas de gestão e conservação, num processo que deverá ser
adaptativo e integrado, permitindo a co-responsabilização dos utilizadores e gestores, bem
como o envolvimento das populações locais.
Nesta comunicação é apresentado um resumo dos principais resultados obtidos nestes
estudos.