"Ensino da Música em Portugal no Final do antigo Regime: fatores de mudança e modernidade" in Pluralidade no ensino do instrumento musical

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Capítulo I: Vanda de Sá, ENSINO DA MÚSICA NO FINAL do ANTIGO REGIME: FATORES DE MUDANÇA E MODERNIDADE. A expansão do consumo e prática da música instrumental associada aos novos modelos de sociabilidade emergentes na segunda metade do século XVIII, provocou alterações no universo do ensino da música. À margem das instituições de ensino tradicionais que formavam os músicos profissionais, e que estavam associadas à corte e à Igreja, como é o caso paradigmático do Seminário da Patriarcal, desenvolveu-se uma importante rede de ensino privado. A disseminação do ensino da música em regime particular, favoreceu naturalmente o leque de opções de trabalho dos músicos profissionais dando-lhes possibilidade de desenvolverem atividades alternativas. O facto da música ser entendida como essencial no elenco de virtudes atribuídas ao papel social feminino passou a exercer uma enorme pressão no sentido do reforço e generalização do seu ensino. Numa estratégia de apropriação dos recursos de distinção socioeconómica, o domínio da arte musical constituiu-se como demarcador relevante, verificando-se na segunda metade do século XVIII um investimento nesta formação no seio da burguesia, logo seguido pelas classes médias. As motivações do ensino da música inserem-se na linha de educação feminina proposta por Luis António Verney (1713-1792) no seu influente livro, Verdadeiro Método de Estudar, de 1746. A desconfiança suscitada pelo reconhecimento do acesso feminino à educação levou aliás a que o autor se escondesse sob o pseudónimo de Barbadinho. Apesar da sua importância na afirmação do Iluminismo em Portugal, a obra de Verney foi tardiamente reconhecida e só aplicada no reinado de D. José (1750-1777) no quadro da reforma pombalina.

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