Prefácio Descrevendo Uma curva apertada

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Centro de Estudos Ibéricos

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Eduardo Lourenço não escreveu muito sobre a poesia de Manuel António Pina e talvez valesse a pena tentar saber porquê. Como importante excepção a esta ausência temos o ensaio “A ascese do Eu” de 2010. Aí Eduardo Lou- renço declara que o autor de Atropelamento e Fuga é um dos raros poetas seus conhecidos (e ninguém tem dúvidas que ele conhece muita e boa poesia) «que não confere ao que chamamos interioridade uma qualquer consistên- cia», nem «faz dela a essência mesma da nossa identidade». Pelo contrário, Manuel António Pina parece contestar que o sentido e a realidade sejam a expressão ou o espelho dessa «mítica interioridade». Por isso, o poeta escolhe, segundo Eduardo Lourenço, «a exterioridade (onde tudo está inscrito e de onde tudo é descrito)». Essa escolha, que, como qualquer escolha, se inscreve sempre numa recusa, é «uma espécie de revolução coperniciana na ordem da poética e da poesia».

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Citation

Lima, João Tiago. Prefácio Descrevendo Uma curva apertada, In Metafísica da Revolução Poética e Política no Ensaísmo de Eduardo Lourenço, 7-9, ISBN: 9789727804047. Guarda: Centro de Estudos Ibéricos, 2013.

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