POTENCIALIDADES DA AGRICULTURA DE PRECISÃO PARA A IDENTIFICAÇÃO E CONTROLO DA FLORA TÓXICA E AGRESSIVA EM PASTAGENS NO MONTADO
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APEZ
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A Agricultura de Precisão (AP) permite auxiliar o gestor pecuário no processo de tomada de decisão. O ciclo da AP, de forma genérica, inclui 4 fases: monitorização, interpretação, definição de zonas homogéneas de gestão (através de mapas) e gestão diferenciada. O Montado é um sistema agro-silvo-pastoril muito complexo, característico da região Mediterrânica, constituído por animais (ruminantes ou suínos), árvores (sobreiros e/ou azinheiras), e pastagens (naturais ou semeadas) que se desenvolvem normalmente em solos pouco férteis, delgados e ácidos. O conhecimento da sua flora natural é crucial para a gestão do pastoreio. Os animais em pastoreio apresentam comportamentos diferenciados, podendo ingerir somente as espécies mais nutritivas, deixando as restantes (pastoreio selectivo) ou ingerir espécies infestantes da pastagem que podem afectar a sua saúde, diminuído o bem-estar-animal. Existem espécies pratenses, agressivas, tóxicas e medicinais no Montado. Este estudo tem como intuito apresentar a distribuição espacial de espécies indicadoras da degradação da pastagem. O ensaio decorreu em Cambissolos, na Herdade Experimental da Mitra (Universidade de Évora), em duas parcelas de Montado de azinho (área total de cerca de 20 ha), pastoreadas por bovinos (raça alentejana e raça mertolenga, com encabeçamento de 0,6 CN), em pastoreio diferido. Foram inventariadas as espécies botânicas existentes em 24 zonas de amostragem (12 debaixo da influência da copa das árvores e 12 fora), numa pastagem natural biodiversa, no ano de 2020/21. As espécies identificadas foram classificadas em agressivas, tóxicas, infestantes, pratenses e medicinais, permitindo a elaboração de mapas das zonas com a distribuição das espécies tóxicas e agressivas mais frequentes. Foi utilizado o programa Arcmap 10.8.2 e o método de interpolação IDW (“Inverse Distance Weighting”). Contabilizaram-se 62 espécies botânicas. Ambas as parcelas apresentaram todos os grupos de classificação. Os resultados demonstram elevada heterogeneidade intra-parcelar. Zonas sob influência da copa das árvores apresentaram maior proporção de espécies botânicas nutritivas (40,6 ± 16,6 %) e menos infestantes (39,2 ± 15,5 %), em relação a áreas fora da influência da copa das árvores (50,8 ± 13,9 % de espécies nutritivas e 53,6 ± 10,6 % de espécies infestantes). O controlo das zonas com maior cobertura de infestantes (tóxicas ou agressivas) contribuirá para o bem-estar animal e sustentabilidade do Montado. Demonstra-se neste trabalho o potencial da AP para o controlo de infestantes no Montado, de forma directa (herbicida, monda, mobilização, corta-mato) ou indirecta (fertilização), favorecendo as condições ecológicas à instalação e desenvolvimento de espécies benéficas da pastagem.
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João Horta Marques, Anabela Belo, Emanuel Carreira, David Lloberas, Paulo Forte, Teresa Vasconcelos e João Serrano (2025). POTENCIALIDADES DA AGRICULTURA DE PRECISÃO PARA A IDENTIFICAÇÃO E CONTROLO DA FLORA TÓXICA E AGRESSIVA EM PASTAGENS NO MONTADO. Livro de Comunicações do ZOOTEC’25: XXV, Pgs 58-59, Congresso Nacional de Zootecnia (23 a 25 de outubro de 2025, Instituto Superior de Agronomia, Lisboa), Telma G. Pinto (Ed.), Apresentação oral, ISBN: 978-989-36090-3-3.