La Voce dei Bonecos de Santo Aleixo
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Edizioni dell’Orso
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Nas formas tradicionais (com é o caso dos BSA), a voz detém uma inequívoca centralidade. É, desde logo, uma outra voz aquela que em cena se apresenta, pois os corpos dos actores-marionetistas permanecem ocultos pelos panejamentos do retábulo onde se apresenta o espectáculo. Sem corpo, a voz da performance torna-se literalmente outra: manifesta-se na sua origem sem a materialidade do corpo que a produz, mas inscrevendo-se no corpo-objecto que é a marioneta através da articulação, da pronúncia, do ritmo, das variantes diatópicas, da musicalidade, ou seja, dos valores sígnicos que a voz carreia numa mess'in scena (encenação) que é sobretudo una mess'in voce (encenação vocal). Procuro ao longo deste ensaio equacionar estas questões ao mesmo tempo que apresento o percurso histórico que levou os BSA desde a forma tradicional até ao processo de transmissão e preservação de que foram alvo no final dos anos 70 e que os mantém em actividade como parte de um modelo profissionalizado que é o que hoje têm em Évora. Num segundo tempo, abordo a língua dos Bonecos na dupla componente de voz performativa e de voz filológica, procurando dar conta das relações complexas e subtis que interpenetram a tradição, a transmissão e o espectáculo.
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Citation
José Alberto Ferreira (2023), «La Voce dei Bonecos de Santo Aleixo», em Virginia Caporali (cur.), Ad altra voce. La traduzione dei testi scritti per essere detti e interpretati. Alessandria, Edizioni dell’Orso, pp. 33-44.