Um pouco de azul

dc.contributor.authorDias, A.S.
dc.contributor.editorJaneira, A.L.
dc.date.accessioned2012-01-09T10:59:44Z
dc.date.available2012-01-09T10:59:44Z
dc.date.issued2007
dc.description.abstractVista do espaço a Terra é azul. Visto da Terra, o céu também é azul. Azuis são mar e águas, lagos e lagoas, mas à parte isto o azul é uma cor relativamente rara na natureza e não fácil de capturar para a tina do tintureiro ou paleta do pintor. Com efeito, qualquer aprendiz de tintureiro, praticando com a natureza obterá com facilidade a partir do mundo vegetal uma vasta gama de castanhos, amarelos, alaranjados, verdes e esverdeados. Pretos, cinzentos e violetas são também relativamente acessíveis mas em contrapartida outras cores como o azul e o vermelho escarlate são bem mais difíceis de obter. Não obstante, o pastel-dos-tintureiros (Isatis tinctoria L.), única planta europeia conhecida com capacidade para tingir de azul fibras têxteis, parece ter sido utilizada desde o Neolítico, apesar da complexidade das técnicas de preparação implicadas na sua utilização. Fios de linho e cânhamo tingidos de azul, foram encontrados nas cavernas de Adaouste o que parece indicar que o uso do pastel poderá ser antiquíssimo na Provence francesa. Além disso, a presença das fibras tingidas indica ainda que o pastel cujo centro genético de dispersão se situa a milhares de quilómetros, nas margens do Mar Negro, teve que realizar uma longa viagem, transportado por povos migrantes ou já como objecto de trocas comerciais. Por outro lado, o aprendiz de pintor que queira fabricar as suas próprias tintas com recurso a materiais naturais também sentirá dificuldades pois não abundam na natureza nem terras nem pedras nem rochas de cor azul. A presença do azul na pintura não será tão antiga quanto a sua utilização na tinturaria têxtil já que não parece haver registos relativos à presença de nenhum pigmento azul na arte rupestre mundial. As mais antigas pinturas murais em que se encontra o azul são egípcias (ca. de 3000 a.C.) e nelas está presente aquele que se pensa ter sido o primeiro pigmento de síntese do mundo – o azul egípcio, obtido pela cozedura conjunta de cobre, sílica e calcário resultando um silicato de cobre e cálcio de cor azul característica que foi o principal pigmento azul utilizado na pintura mural do antigo Egipto e império romano, caindo em desuso a partir do século IX. A raridade do azul, as dificuldades da sua obtenção aliadas à sua beleza, no dizer de Joahnnes Itten sempre invocadora do sobrenatural e do transcendente tornam o azul uma cor fascinante, fascinação que foi compartilhando em diferentes tempos e lugares com outras glórias da cor como o vermelho escarlate e o púrpura. Neste texto iremos focar a história de dois corantes azuis de origem vegetal, o pastel e o anil, deixando portanto de lado outros corantes azuis de origem vegetal que só brevemente referiremos e a não menos fascinante história dos pigmentos azuis de origem mineral e de síntese.por
dc.identifier.authoremailnd
dc.identifier.citationDias AS 2007. Um pouco de azul. In AL Janeira (Coord.) Modos de saber e fazer a cor. Colecção SaberesFazeres, Apenas Livros Lda, Lisboa. pp 41-54por
dc.identifier.isbn978-989-618-118-5
dc.identifier.scientificarea221por
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10174/3116
dc.language.isoporpor
dc.publisherApenas Livros Lda.por
dc.rightsopenAccesspor
dc.subjectEthnobotanypor
dc.titleUm pouco de azulpor
dc.typebookPartpor

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