A Adubação Azotada do Trigo em Portugal: o problema da variabilidade climática

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Agrotec

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A desconcertante variabilidade climática intra-anual que se verifica em Portugal, particularmente no que se refere à precipitação (Figura 1), coloca problemas muito difíceis na definição do itinerário técnico mais adequado para as culturas de Outono/Inverno. A adubação azotada dos cereais de Inverno é um exemplo paradigmático desta situação. A abordagem clássica para o cálculo da adubação racional das culturas assenta na estimativa das reservas no solo, na exportação das culturas e na eficiência de utilização do adubo aplicado. No caso do azoto, as reservas estão fundamentalmente sobre a forma orgânica, pelo que a sua disponibilização para a cultura depende da taxa de mineralização a qual, sendo realizada pela actividade microbiana do solo, está dependente das condições ambientais. A produção esperada é também função das condições meteorológicas no decurso da cultura, que influenciam igualmente as perdas de azoto a esperar, ou seja, a eficiência de utilização do adubo aplicado. Assim, todas as variáveis importantes no cálculo da adubação azotada estão dependentes de condições que irão ocorrer no futuro e impossíveis de prever (Figura 2). Para se ultrapassar esta dificuldade torna-se necessário comprometer o mínimo de azoto à sementeira da cultura e desenvolver um modelo de gestão das adubação azotada, a aplicar de cobertura, indexado à precipitação que for ocorrendo.

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Carvalho, M. (2015) A Adubação Azotada do Trigo em Portugal: o problema da variabilidade climática, Grandes culturas, 5: 10-12

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