Elementos para a compreensão da abstinência de bebidas alcoólicas entre a população estudantil do 12.º ano de escolaridade do concelho de Estremoz

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Introdução: O álcool é a droga mais consumida no mundo, no tempo presente. A curiosidade, a pertença a um grupo de pares, a imitação e, em algumas situações, a motivação dos familiares, constituem fatores motivantes à ingestão de bebidas alcoólicas, pelas faixas etárias mais jovens. A anuência social, tolerante dos consumos moderados de bebidas alcoólicas, pode levá-los a evoluir para formas de risco. O inquérito Health Behaviour in School-aged Children (Matos, Equipa do Projeto Aventura Social e Saúde, 2010), revela que 37% dos alunos consomem álcool aos fins de semana e, preferencialmente, à noite. A investigação realizada por Lomba et al. (2011) aponta no sentido de os jovens frequentarem ambientes recreativos, essencialmente noturnos, saindo cerca de 6 noites por mês, que corresponde a uma média de mais do que uma noite por fim de semana estando em 2 ou 3 locais de diversão por noite. O mesmo estudo divulga, ainda, que aproximadamente 96% dos jovens selecionam os ambientes recreativos, preferencialmente, pelo facto de terem possibilidade de encontrar amigos, e cerca de 59% dos jovens valorizam o acesso a bebidas alcoólicas baratas como marcante fator de escolha do local de diversão. Objetivos: O presente estudo objetiva caraterizar as atitudes e os hábitos dos jovens estudantes visando a compreensão dos fatores motivacionais externos e internos que concorrem para a abstinência e, concomitantemente, para o consumo de bebidas alcoólicas pelos jovens estudantes do 12º ano do concelho de Estremoz, em co utilização do espaço escola e de espaços de lazer. Métodos: Desenvolvemos uma investigação de caráter qualitativo recorrendo ao método direto de recolha de dados fazendo uso de entrevistas compreensivas (modelo de J.-C. Kaufmann). A amostra foi constituída por cinco alunos não consumidores e cinco consumidores, do 12º ano de escolaridade. Resultados: O primeiro contacto com bebidas alcoólicas parece suceder em ambientes festivos e noturnos, impulsionado pela curiosidade e pela influência quer explicita quer implícita dos pares. É de referir a capacidade de aquisição de bebidas alcoólicas em consequência das verbas, em dinheiro, disponibilizadas pelos pais para festas e momentos de convívio durante os fins-de-semana e o facilitismo na compra dessas bebidas. Estes parecem edificar-se como ascendências motivadores da continuidade do consumo. Uma alteração de comportamento, no grupo de pertença, parece apontar para a alteração do comportamento individual, relativamente à ingestão de bebidas alcoólicas. Os jovens parecem percecionar riscos em saúde resultantes apenas do consumo excessivo deste tipo de bebidas. Conclusão: O grupo de pares influencia a ingestão e a abstinência do consumo de bebidas alcoólicas. O facilitismo parece determinar a continuidade do consumo. As consequências desagradáveis das ressacas parecem não contribuir para o desencorajamento da ingestão. Os jovens não consumidores já experimentaram tomar bebidas alcoólicas, mas quer o sabor de algumas, quer os efeitos que provocam, não são promotores do consumo, considerando dispensável a sua ingestão para o estreitamento da convivência interpares.

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